''Tinha muita dor de cabeça e não dormia. Procurei um neurologista, fiz uma bateria de exames, mas nada era diagnosticado. Como não tem psicólogo no SAS, fui encaminhado para o psiquiatra'', conta José Valdo, professor de Educação Física da Escola Estadual Monsenhor José Maria Escrivá (Zona Norte), que há dois anos descobriu que sofre de depressão.
Afastado durante todo esse tempo, Valdo diz que a quantidade de alunos e a cobrança em relação a metas e conteúdo contribuíram para que ele atingisse um alto nível de estresse. ''Sinto uma insegurança tão grande que parece que não sei mais de nada. Que esqueci de tudo'', diz o professor, que atualmente trabalha na biblioteca e secretaria da escola.
Assim como Rosângela, Valdo também precisou ser internado. ''Fiquei mais agressivo e não tinha mais limites para suportar um aluno confrontando comigo. Por muitas vezes, tinha uma ânsia de vômito muito forte e saía correndo da sala. Se hoje eu fosse optar por uma profissão, jamais seria professor. O professor não é mais valorizado'', desabafa ele, que antes de retornar às quadras de esportes, quer recuperar a personalidade ''engolida'' pela depressão. ''Estou me soltando aos poucos, mas não sou como era antes. Até nas horas de lazer, fico mais reservado, em casa. Perdi o dinamismo e a segurança.'' (M.O.)

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