Para o mestre em sociologia e professor da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Ronaldo Baltar, a violência não é um problema cultural do Brasil, mas crônico, que acaba se desenvolvendo pela falta de infraestrutura oferecida pelo Estado. "Vai da questão da desigualdade, discriminação e passa pela questão institucional, vinculado à falta de segurança pública, que vai agravando a violência. Isso não tem a ver com a índole do brasileiro ou muito menos quer dizer que ele é violento, mas, sim, que o problema é estrutural."

Vivendo atualmente uma série de situações de violência e insegurança, conformes relatos diários dos veículos de comunicação, o Rio da Janeiro é apontado pelo especialista como um dos exemplos de um modelo estrutural corrompido. "As Unidades de Polícia Pacificadoras trouxeram um novo modelo de segurança, redefinindo a atuação dos policiais junto com as comunidades. Porém, o problema crônico da corrupção tirou isto e reforçou a falta de segurança", considerou o professor.

O relatório da entidade Small Arms Survey mostrou que o País é o terceiro no mundo em mortes de mulheres. No Paraná, o Atlas da Violência 2017 indicou que o Estado reduziu em 30,2% a morte de mulheres de 2010 a 2015, mas que ainda apresenta números altos. "O que existe, além do machismo, é uma dificuldade para as instituições punirem e evitarem este tipo de situação. A impressão é que temos uma aparato que dá abrigo aos agressores", opinou. "A mesma coisa acontece nos casos de violência racial, que, ao invés de coibir, as instituições reforçam."

De acordo com Baltar, estudos evidenciam que o envolvimento das comunidades na segurança é um dos caminhos para superar os números crescentes da violência, cobrando e sugerindo saídas aos governantes. "Também é preciso pensar na eleição do próximo ano. Tem surtido efeito quando as pessoas deixam de pensar e adotar soluções individuais e pensam no coletivo, se mobilizando e buscando colocar o problema em evidência, ocupando os espaços", afirmou o sociólogo, que trabalha com projetos acadêmicos para desenvolver indicadores de monitoramento de políticas públicas.

O professor ainda disse que a corrupção na política contribui para a falta de serviços públicos de qualidade e que os mais afetados são as pessoas de baixa renda. "Isso acontece pois é onde chegam menos serviços públicos de qualidade. As pessoas, normalmente, costumam ser mais abandonadas e ficam sem lazer, cultura e emprego, recebendo, muitas vezes, ações policiais de forma violenta." Baltar ressaltou que a violência está em todas as regiões, mas que as classes de maior poder aquisitivo conseguem bancar qualificações e outras benfeitorias que afastam a insegurança.

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