O preço pago para morrer
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de abril de 2005
Adriana Dias Lopes<br> Agência Estado 
São Paulo - Qual é o preço que se paga para morrer? Ideologicamente, não há preço. Mas, objetivamente, a resposta à pergunta é: quanto mais perto da morte, mais alto é o gasto. Foi o que provou matematicamente o médico especialista em economia da saúde Marcos Bosi Ferraz, do Centro Paulista de Economia da Saúde da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Durante três anos, ele trabalhou com números referentes aos quatro anos que antecederam a morte de 274 clientes de um plano de saúde o nome da operadora não pode ser revelado por conta de normas contratuais. Mas a conclusão foi de que 72% dos gastos ocorreram no último ano de vida, metade nos últimos quatro meses. Antes disso, os custos eram de 0,5%.
Ferraz analisou 28.467 registros de faturas de diferentes serviços prestados pela operadora. Foram checados todos os custos dessa operadora com os clientes em seus últimos três anos de vida. O tipo de plano analisado foi o de cobertura completa (ambulatorial, hospitalar e exames). Os maiores gastos (84,07%) foram com internações hospitalares.
''A maior importância desse resultado é que ele prova que é melhor o investimento em ações como prevenção, tratamento paliativo ou home care (internação em domicílio)'', analisa Ferraz. ''Não existe ainda um cálculo para saber quanto seria a economia se o investimento nessas áreas fosse maior, mas, certamente, elas custam menos para todas as partes.''
O oncologista Císio Brandão, do Hospital do Câncer, em São Paulo, tem um número para provar que o tratamento paliativo, aquele com objetivo de aliviar os sintomas da doença e não curar reduz os custos hospitalares. ''Temos 200 pacientes por mês em tratamento paliativo. Nos últimos meses, só um foi para UTI'', conta Brandão. ''Se eles não tivessem aceitado o tratamento paliativo, estariam ocupando leitos e sofrendo desnecessariamente.''


