O esporte pode ser uma ferramenta de cidadania, transformação e também de ressocialização. Prova disso foi a 2ª edição das Olimpíadas da Socio, no Cense Londrina 1, que reuniu adolescentes que cumprem medidas socioeducativas nos Censes 1 e 2 de Londrina, na Casa de Semiliberdade e no Cense de Santo Antônio da Platina. Os jovens da unidade do Norte Pioneiro passaram alguns dias na cidade para disputar modalidades como futsal, vôlei, tênis de mesa, atletismo e até e-sports, novidade desta edição, com competição de futebol virtual.

Mais do que o aspecto competitivo, a integração entre os adolescentes foi o principal destaque para quem convive diariamente com eles. “A proposta foi trazer o espírito olímpico, incentivar que treinem juntos, interajam entre si, melhorem o convívio, fortaleçam referências e desenvolvam apoio mútuo”, explicou Márcio Schimidt, diretor do Cense Londrina 1.

“Criamos uma dinâmica de boas relações por meio do esporte, que tem essa capacidade de transformar vínculos pessoais. Alteramos a rotina na unidade, tanto para os adolescentes quanto para os servidores, estimulando novos valores e perspectivas. É a chance de mostrar que é possível seguir novos caminhos”, seguiu.

Para Schimidt, a atividade também reforça a missão socioeducativa. “Mostramos que existem relações diferentes daquelas marcadas pela violência, pelo abandono e pela exclusão. São relações verdadeiras, que aproximam, reforçam valores e oferecem perspectiva. Esse é o caminho”, completou.

Imagem ilustrativa da imagem O poder do esporte para jovens em ressocialização
| Foto: Divulgação

Transformação

A agente socioeducativa Marluce Zambrin, integrante da organização das duas edições, e idealizadora do projeto Nova Jornada, que usa o esporte como ferramenta de desenvolvimento, reforça o poder transformador das práticas esportivas e de eventos desta natureza.

“Quando falamos de esporte, falamos de transformação. Ele não é só movimento, é convivência e oportunidade. Ao ver um adolescente competindo, vemos alguém aprendendo a lidar com desafios, respeitar o outro e acreditar em si. É garantir que reconheçam o esporte também como um direito”, afirmou Zambrin.

“Inspirados nos valores olímpicos, reunimos as unidades para promover inclusão e convivência de forma democrática. Não é apenas um evento, é algo que fortalece autoestima e protagonismo. É transformar tudo em oportunidade e aprendizado.”

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Os jovens do Cense Londrina 1 venceram a competição, realizada entre 24 e 27 de novembro. Mas, para os profissionais, o espírito de cooperação e a vivência coletiva foram os verdadeiros resultados dos quatro dias de atividades.

'Eles se sentem valorizados'

A psicóloga da Casa de Semiliberdade, Erika Hosaka, destaca que os benefícios começam bem antes da disputa. “A preparação já serve como espaço para trabalhar vínculos, entre os próprios adolescentes e entre eles e a equipe de trabalho. A possibilidade de confiar no outro é rara no cotidiano deles, e as competições trazem essas experiências o tempo todo”, explicou.

Segundo ela, os impactos são profundos. “Eles se sentem valorizados, melhoram a autoestima, passam a acreditar mais no próprio potencial. Participam não só das provas, mas da organização: desenham bandeiras, escolhem nomes das equipes, encontram modalidades compatíveis com seus interesses. Quem não gosta de futsal pode competir no atletismo, no tênis de mesa ou nos e-sports. E, se não quiser competir, pode torcer. Tudo isso é investimento direto na saúde mental de quem está em sofrimento, mesmo quando não conseguem verbalizar isso”, afirmou.

Eventos como as Olimpíadas da Socio proporcionam experiências impossíveis de replicar em atendimentos individuais, reforça a psicóloga. “Durante a organização, os adolescentes demonstraram grande interesse e se aproximaram mais da equipe e dos colegas, criando um verdadeiro espírito de equipe. Compartilharam histórias, esperanças e fragilidades, coisas que não aparecem em relatórios. Falaram sobre o que sabiam fazer bem, sobre o desejo de vencer, sobre o que ainda não dominavam. Esse tipo de vínculo não é possível dentro de uma sala de atendimento”, completou Erika.

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Cafu esteve no Cense 1

Além das Olimpíadas da Socio, os adolescentes do Cense 1 têm participado de outras atividades que fogem da rotina nas últimas semanas. No fim de outubro, por exemplo, o pentacampeão mundial Cafu esteve na unidade para conversar com os jovens em processo de ressocialização. Eles receberam livros do ex-atleta e de sua esposa, tiraram fotos, pegaram autógrafos e tiveram a oportunidade de ouvir de perto as experiências do ídolo que marcou história por São Paulo, Milan e pela seleção brasileira.

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