O poder das cores na alimentação
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segunda-feira, 09 de fevereiro de 2009
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Dizem que uma refeição a gente come primeiro ''com os olhos''. Mas, se um prato colorido e variado é capaz de estimular o desejo e o apetite, o benefício para a saúde é ainda melhor - quanto mais colorido, mais nutrientes indispensáveis para o organismo.
Cada cor, explica a nutricionista Gisele Centenaro, de Londrina, está relacionada a certos tipos de vitaminas e fitoquímicos, substâncias que as plantas produzem para se proteger de vírus, bactérias e fungos, e que, ao serem ingeridas, trazem benefícios também para o corpo, atuando na prevenção de doenças como as cardiovasculares e o câncer.
''Os pigmentos coloridos dos vegetais e frutas protegem as células contra a ação dos radicais livres, fortalecem o sistema de defesa, favorecem a homeostase da flora bacteriana intestinal e previnem contra doenças crônico-degenerativas'', aponta o médico nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), Durval Ribas Filho.
Não é exatamente uma regra, mas cada cor representa substâncias importantes e benefícios diferentes. São seis grupos de alimentos, divididos em branco, vermelho, amarelo, verde, marrom e preto ou roxo. ''Os de cor vermelha, por exemplo, contêm uma substância chamada licopeno. Considerado um antioxidante natural, ele protege o organismo de substâncias químicas agressivas às células, e é capaz de prevenir o câncer'', explica o médico.
Uma das descobertas recentes, aponta o nutrólogo, é a concentração de flavonóides na casca de frutas cítricas, que favorecem a diminuição do colesterol ruim (LDL), 20 vezes maior do que em outras frutas. ''É um antioxidante potentíssimo, que já se usa até em cosméticos'', diz, chamando a atenção também para o poder antioxidante de ervas como alecrim, coentro, tomilho e manjericão, e de vegetais como brócolis, couve-flor e repolho.
Os estudos científicos ainda não comprovam, mas indicam, segundo a nutricionista, que a melhor forma de se obter os benefícios é consumir os produtos in natura ao invés de em cápsulas ou suplementos. E mais: para trazer benefícios, a ingestão deve ser um hábito.
Mas, se as cores beneficiam, o contrário também se aplica. ''Uma pessoa que ingere sempre os mesmos alimentos, as mesmas cores e sabores, pode desenvolver deficiências nutricionais'', alerta Gisele. As refeições monocromáticas, em que o bege é a cor predominante, como a do macarrão ou pão, ressalta o médico, ''aceleram o processo de envelhecimento e predispõe o organismo a várias doenças, como colesterol alterado, câncer ou diabetes''. Na dúvida, não custa seguir um dos lemas da nutrologia: ''Quem quer que seja o 'pai' de uma doença, a 'mãe' foi uma dieta deficiente''.


