As constantes catástrofes de decorrência natural que acontecem ao redor do mundo chocam pelos efeitos devastadores e as mortes que provocam. Porém, diferentemente do que muitos ambientalistas defendem, para o sociólogo e pesquisador do Núcleo de Estudos da População da Universidade Estadual de Campinas (Nepo/Unicamp), Ricardo Ojima, a principal causa das mudanças ambientais está relacionada aos hábitos de consumo e não, necessariamente, ao processo de urbanização ou crescimento populacional.
''Sessenta por cento do aumento das emissões entre 1950 e 1980 vieram de países que contribuíram apenas com 12% do crescimento populacional. Os países que mais contribuíram com a emissão de gases foram países mais desenvolvidos, onde o consumo é maior, mas a demografia não cresceu. Por isso, a questão mais importante não é salvar o planeta, mas a forma que vamos viver os fenônemos. O planeta vai continuar aí'', disse Ojima, durante a 6 edição do Fórum Internacional de Seguros, realizado pela Allianz Seguros em São Paulo.
Ojima citou que as estimativas sugerem que o Brasil deve atingir seu pico populacional em 2040, quando seremos 219 milhões brasileiros. Mas o estudioso advertiu que se por um lado o crescimento populacional não tem relação direta com os problemas relacionados com o meio ambiente, por outro, a mudança etária da população deve ser vista com outros olhos. ''Depois desse período (2040), a tendência é a população apresentar crescimento negativo. Mas, as pessoas estão vivendo por mais tempo. E o impacto nas mudanças climáticas de um adulto é muito maior que de uma criança, já que grande parte das emissões estão ligadas ao transporte e indústrias'', acrescentou Ojima.
Diante dessas constatações, de acordo com o pesquisador, a sustentabilidade é utopia e deveria estar mais ligada a mitigação e adaptação das medidas ambientais. ''Temos que nos ater muito mais aos fenômenos antes que eles aconteçam. É importante, contudo, que existam mapeamentos da vulnerabilidade, principalmente nas áreas urbanas, onde os efeitos serão mais graves. Além disso, obviamente, promover mudanças de comportamento e nos padrões de consumo. Isso sim é que vai garantir um mundo mais sustentável.''
Ainda que as considerações sejam polêmicas, há quem defenda que muitos desastres podem ser minimizados por estudos e planejamentos ligados diretamente à urbanização, recurso utilizado principalmente em países mais desenvolvidos. ''Outros países já têm essa consciência da prevenção, até pelos acontecimentos serem mais frequentes e terem resultado em alto impacto financeiro de reconstrução. Para isso, têm planos de evacuação elaborados, por exemplo. Aqui, por muito tempo imperou e ainda permanece a ideia de que desastres são fatalidade e até mesmo desígnios divinos'', considerou o capitão Eduardo Pinheiro, sub-chefe da Defesa Civil do Paraná.
O oficial pontua que, mesmo que as condições geológicas e topográficas sejam intrínsecas às dinâmicas naturais, a ação do homem acaba sendo importante agente modificador nesses processos. ''Em grande parte das vezes, (o desastre) é reflexo do crescimento da população e da própria urbanização, que resultam em instabilidade da região, favorecendo o aumento de incidência e dimensão das catástrofes naturais.''
* A jornalista viajou a São Paulo, a convite da Allianz Seguros

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