O inverno é época de cuidados redobrados com a saúde e também de maior sofrimento para quem não tem uma vida estruturada. A estação mais fria do ano é sinônimo de maior movimento de pessoas à procura de aconchego, banho quente e alimentação em abrigos como o Serviço Obra Social (SOS), localizado na Vila Nova (Área Central de Londrina).
O local atende apenas homens (tanto de Londrina como de outros municípios), na faixa etária entre 23 e 60 anos, e está em funcionamento há 43 anos. ''Procuramos nos preparar, ao longo do ano, para esta época. Como sabemos que a demanda aumenta, vamos em busca de mais cobertores e mais alimentos'', revela o educador social Isael dos Santos.
Entre os abrigados no SOS na última semana estavam Miguel Donizete Barbosa, de 53 anos, que veio de Jundiaí (SP). Ele morou em Londrina dos sete aos 21 anos, mas hoje pais e irmãos já morreram. ''É o lugar que mais conheço, por isso resolvi voltar.'' Mas Miguel, que também já morou no Mato Grosso, nunca se acostumou com o frio do Sul. ''Não sei se alguém se acostuma. É muito duro dormir com os pés e mãos gelados'', define Barbosa, que tem guardada na memória a dura lembrança de algumas noites que precisou dormir na rua.
Arildo da Silva, 31 anos, também saiu do interior de São Paulo em busca de oportunidades de trabalho, mas a experiência foi mais difícil do que ele imaginou, e aguarda no SOS uma forma de voltar para casa, em Garça. ''Não é toda cidade que a gente chega que tem um abrigo. Muitas vezes tive que dormir na rua, no piso duro, sem nem um papelão para segurar um pouco o frio. O pior do inverno são as noites'', diz Silva, com conhecimento de causa.
Espalhe calor
A Campanha ''Espalhe Calor'', lançada em 12 de maio pelo Programa do Voluntário Paranaense e Secretaria de Estado da Família e Desenvolvimento Social, pretende distribuir 150 mil cobertores e mais de 500 mil peças de roupas até 31 de agosto. Neste ano, a campanha dará prioridade ao ''Corredor do Frio'', municípios com as menores médias de temperatura, e àqueles com os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH). O cadastro com as famílias é feito pelas prefeituras.
Em todo o Paraná, são 571 postos de coletas de donativos. Quem quiser contribuir, com doação de roupas e cobertores, pode se dirigir até uma base do Corpo de Bombeiros ou da Polícia Militar em sua cidade. (S.L.)

mockup