O perigo que está nos fios
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 07 de julho de 2010
Vinícius Fonseca<br>Reportagem Local 
Uma pipa voando pelos céus encontra fios de alta tensão da rede elétrica. A cena perigosa se torna cada vez mais comum, principalmente em alguns bairros da Zona Norte de Londrina, com o início das férias escolares. Para evitar acidentes, palestras serão realizadas para alunos de 5 a 8 séries. Além disso, um carro de som vai abordar o tema nos bairros mais afetados por desligamentos na cidade.
Dados da Copel, organizadora da campanha que começou ontem, indicam que no ano passado foram registrados 654 desligamentos de rede o que deixou cerca de 237 mil domicílios sem energia no Norte do Estado - 70% dos casos aconteceram em Londrina. Segundo a companhia, o número de domicílios afetados por apagões devido a objetos que atingem a rede no primeiro semestre de 2010 diminuíram, mas isso se deve ''mais ao investimento feito em modernização do que os cuidados dos jovens''.
Entre os bairros atendidos pela campanha está o Violin (Zona Norte), onde ontem foi realizada uma das primeiras palestras da campanha, na Escola Estadual Doutor Fernando de Barros Pinto, que tem quase 600 alunos. O inspetor de medição Elthon Massayochi Hossaka falou às crianças.
Segundo Hossaka, os problemas não estão ligados apenas aos custos, mas aos riscos que as crianças correm. ''As consequências de um acidente são para o resto da vida, então se com essa palestra evitarmos pelo menos um, já vale a pena.'' E complementa: ''Não é apenas o choque, mas muitos desses jovens correm risco de serem atropelados''.
O inspetor destaca um fator preocupante que a palestra também busca combater: o uso de Cerol e outros condutores de energia na hora de se fazer uma pipa para que todos possam brincar com segurança.
Efeito
Edna Magalhães de Souza, diretora do colégio, vê a ação com bons olhos. Segundo ela é costumeiro pessoas de várias idades, principalmente meninos, empinar pipa na região. ''Essa área tem muitos fios elétricos'', comenta.
Ela diz que embora nem todos os alunos acatem os conselhos, a campanha é capaz de surtir efeito positivo, já que nessa idade os alunos passam a se preocupar com os riscos. ''Campanhas assim são sempre importantes porque uma boa parcela entende esse recado e está disposto a cumprir com o que é proposto.''
O estudante Nilton Cerqueira do Santos, 15 anos, diz que solta pipa com frequência e que não descuida da segurança. Ele afirma já ter presenciado amigos tomarem choque. ''A gente tenta soltar em lugares com poucos fios. Procuro conversar sobre segurança com os amigos da turma.'' ''Depois do que eu vi hoje na palestra vou falar com os amigos e soltar pipas em lugares com espaço'', afirma o estudante Marcos Guilherme Alves, 11.


