O perigo nas mãos e linhas
Londrina - Em uma rua do Conjunto Maria Cecília (Zona Norte), o carro da FOLHA se aproximou de cerca de oito meninos e jovens que soltavam pipa. Ao observarem que se tratava da imprensa o grupo rapidamente se dispersou e sobraram apenas alguns para conversar com reportagem. Um deles, de 14 anos, disse que todos por ali usam cerol nas linhas. ''A gente quebra o vidro bem miudinho, mistura cola e água. Perto da avenida tem gente que compra pó de ferro e também mistura'', explicou.
Na região não é difícil encontrar crianças e jovens empinando pipas com cerol. Basta olhar para o céu e observar várias pipas ''brigando'' no ar. De vez em quando uma delas cai e a garotada toda corre para pegar a pipa que teve a linha cortada. Isso inclui se arriscar entre telhados e árvores.
Além de oferecer riscos a motociclistas e pedestres, o uso do cerol também pode ferir as próprias crianças enquanto manuseiam a linha. Conforme o supervisor de segurança da Copel, Marcos Dantas de Oliveira, a prática também aumenta os riscos de choques já que a limalha de ferro, usada na mistura, conduz eletricidade.
A pipa traz ainda outros riscos quando a criança tenta desenroscá-la de postes e fios energizados. ''Em 2001 uma criança morreu porque subiu em um poste que tinha transformador e tentou retirar a pipa da rede'', lembrou.
Depois de um tempo que a pipa que ficou enroscada na rede elétrica ela começa a dar curto circuito e pode provocar desligamentos de energias. ''Fazemos uma limpeza periódica em áreas críticas, mas não conseguimos atender toda a cidade'', explicou.(M.A)





