O perigo dos fogos de artifício
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de junho de 2006
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Nos próximos dias, o número de atendimentos a lesões graves nas mãos, geralmente causadas por fogos de artifício, deve aumentar de 30% a 40% de acordo com o médico responsável pela cirurgia de mão no Hospital do Trabalhador em Curitiba, Claudio Bonamin. A explicação é simples: período de festa junina, aliada à Copa do Mundo, é determinante na estimativa, conforme explicou o médico. Num mês normal, são feitas de 60 a 80 cirurgias de mão no hospital - mais de 50% são pequenas lesões. As consideradas graves são quando há amputação total ou parcial da mão.
O médico explica que os três hospitais em Curitiba que realizam cirurgias complexas de mão - Hospital Cajuru, Hospital Evangélico e o próprio Hospital do Trabalhador - devem receber de 3 a 5 pacientes com lesões na mão em um dia de jogo da seleção brasileira, por exemplo. Na passagem do ano de 2005 para 2006, de 5 a 7 pacientes procuraram os hospitais com lesões na mão. Somente no Hospital do Trabalhador, foram realizadas no ano passado 1.137 cirurgias.
O médico explica que acidentes com fogos de artifício geralmente causam também problemas auditivos, lesões nas córneas e queimaduras na face e no pescoço.
Dados da Sociedade Brasileira de Queimaduras (SBQ) mostram que, durante as festas juninas, os atendimentos a pessoas que sofreram queimaduras nas emergências dos hospitais chegam a dobrar. ''Não tem como eu passar orientações de cuidados aos quem querem soltar fogos. É perigoso. Simplesmente não devem soltar'', enfatiza Bonamin.
Em dezembro do ano passado, Francisco Felício, de 22 anos, estava com a namorada e os amigos quando encontrou um foguete abandonado na rua, no bairro Sítio Cercado, em Curitiba. ''A gente soltou na rua mesmo, na esquina da minha casa. Mas daí logo que eu acendi ele explodiu. Perdi partes de três dedos e a visão do meu olho esquerdo ficou um pouco ruim. Também tive ferimento na barriga, mas nada grave'', conta.
Felício disse que quando ocorreu a explosão ''não sobrou nada'' da camiseta e da jaqueta que ele usava, ''rasgou tudo''. E garante que agora não pretende mais soltar fogos. ''Depois daquele dia eu nunca mais soltei. Eu não imaginava que tinha perigo porque isso nunca tinha acontecido antes e a gente sempre soltou fogos'', conta.


