O perigo da vitória de Haider para a áustria Do correspondente Gilles Lapouge
Paris, 08 (AE) - A áustria e a extrema- direita recomeçam, após mais de meio século, um pesadelo reiterado? Em 1930, foi da áustria, de Linz, que desembarcou em Munique e, depois, na Alemanha, um ex-pintor de paredes denominado Adolf Hitler.
Hoje, é também da áustria que nos chega um estranho barulho: nas eleições provinciais, na província de Caríntia (no sul da áustria, nos Alpes, perto da Eslovênia), o candidato da extrema- direita, fascista e xenófabo, Jorg Haider, conseguiu 42% dos votos, pulverizando, na ocasião, os socialistas do SPO, que degringolaram para 33%.
Haider não é um agitador competente desconhecido, ele já foi governador dessa mesma Caríntia, mas teve que se demitir em 1991, pois proclamou publicamente que havia "efeitos positivos no programa de Hitler".
Desde então, acreditava-se que ele perdera a honra devido a essa provocação, mas o escrutínio de hoje demonstrou o contrário: não só Haider mantém-se como progride "em passo de gigante" de modo que, nessa província de um milhão de habitantes (dos 8 milhões que constituem a áustria), aproximadamente, um eleitor em cada dois aprovou-o.
Assim, o caminho está amplamente aberto, a Haider, para outros episódios. Quais? Em um futuro próximo, o lugar de governador da Caríntia. Além disso, por que não, o primeiro lugar em Viena.
Portanto, próxima batalha: a direção de Caríntia. Naturalmente, os dois outros partidos - SPO (socialistas) e OVP (conservadores) - podem se juntar para lhe barrar o caminho. Foi nesse sentido que falou o porta-voz socialista: "Haider não é um parceiro confiável." No entanto, se os dois partidos aceitáveis se unirem para bloquear o caminho de Haider, a extrema-direita terá uma boa oportunidade para proclamar o mártir. Haider poderá dizer: "A vontade popular foi vilipendiada: com 43% dos votos, Haider é afastado do poder! Que vergonha! Um efeito pernicioso poderia, então, suceder, não só em Caríntia, mas em outras províncias onde a extrema-direita é igualmente forte (Tirol ou Salzbourgo). Essa ofensiva obstinada da extrema-direita em direção ao poder provincial (em seguida nacional?) inquieta. Jorg Haider consegue resultados bem melhores do que Jean-Marie Le Pen, na França. E é bem mais perigoso.
Em primeiro lugar, Haider, 49 anos, é um homem jovem, enquanto, na França, Jean-Marie Le Pen é idoso (72 anos), esgotado e mais favorecido pela demolição do que pela construção. Haider quer ser homem de governo.
E isso não é tudo: Le Pen é estranho à tradição francesa (embora Napoleão tenha matado muita gente em combate, não foi exatamente um tirano). Ao contrário, Haider se mexe em um terreno extraordinariamente fértil ao fascismo, assim como a eclosão de Hitler demonstrou.
Além disso, no final da guerra, a Alemanha foi submetida a uma "desinfecção" integral, implacável e bem conduzida pelos aliados: os chefes nazistas foram todos executados ou aprisionados com vida. Os nazistas notabilizados foram perseguidos, obrigados a se refugiar ao longe, etc. E um espírito realmente democrático e tolerante instaurou-se na Alemanha.
A áustria não foi desobstruída das influências nazistas por uma razão evidente: se ela participou da aventura sanguinária de Hitler, foi porque Hitler havia anexado-a. A áustria foi nazista simplesmente contra sua vontade, sob ameaça. Eis por que ninguém pensou, em 1945, em purgá-la de seus miasmas. E esses miasmas, há cinquenta anos, longe de se estiolarem caminharam, cresceram, proliferaram. A vitória surpreendente de Haider o confirma, infelizmente!





