O Nordeste de todos
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domingo, 25 de setembro de 2011
Vítor Ogawa <br> <br> Reportagem local 
Londrina- A 16 edição da Festa Nordestina de Londrina acabou ontem e a mensagem que procurou repassar ao público foi a luta pela redução dos preconceitos. Para ajudar nessa missão, a edição deste ano contou com a participação de grupos de hip hop, grafiteiros, músicos regionais, grupos de dança, de pop rock e de tambores orientais.
O criador e organizador do festival, Raimundo Maia Campos Junior, conta que teve de vencer o preconceito dos próprios nordestinos para incluir grupos de outras origens no festival. ''Temos que aceitar os outros e suas culturas para que eles nos aceitem como somos. Se queremos que os outros conheçam a cultura nordestina, devemos conhecer e aprender a conviver com as outras culturas também'', defende.
Na apresentação de hip hop, a apresentação de Washington Luiz dos Santos contou com a presença do percussionista pernambucano Roberto Augusto, conhecido como Beto Maresia. ''Nós do hip hop nos espelhamos no repente, no coco e no bem bolado, que também realizam improvisações em cima de métricas, mas cada um com uma métrica diferente'', conta Santos, também conhecido pela inicial W. Ele explica que, entre os mestres nordestinos, se espelha em Gonzaginha, Caju e Castanha e Saci.
Maresia conta que o ecletismo é importante. ''Se englobarmos o forró, o hip hop e outros ritmos fica tudo lindo'', comenta. Ele, que estudou na escola de percussão Eduin Ladeira em Olinda, diz que este tipo de festival é importante para não deixar a cultura nordestina esquecida. De acordo com ele, até mesmo os tambores orientais que se apresentaram no festival possuem uma energia comparável com o dos tambores nordestinos. ''Eles estavam tocando lá e eu aqui já estava dando meus passos'', comenta.
O estudante Leonardo dos Reis Fernandes, 16 anos, é integrante do grupo Ryukyu Koku Matsuri Daiko, que realiza apresentações de tambores orientais e concorda que a energia das batidas dos tambores é a mesma. ''Este tipo de evento é importante para integrar os povos e as culturas'', comenta.
A artesã Maria José Lopes nasceu no Norte de Minas Gerais, mas conta que sempre teve uma relação muito forte com os estados nordestinos pela proximidade de Minas com a Bahia. Em relação à festa, ela só achou que deveria haver mais barracas relacionadas ao Nordeste, como uma barraca especializada em peixes, mais pratos com carne de sol, aipim (mandioca) e carnes cozidas. ''Mas foi importante para encontrar pessoas com o sotaque de lá e saborear os pratos típicos do Nordeste'', conta.
O operário da construção civil Devanil Palombo foi ao festival em busca de um ambiente familiar e calmo. ''Gosto de experimentar comidas de diferentes lugares e achei o festival muito bom'', avalia. Ele, que nasceu em Primeiro de Maio e vive em Londrina, cobra mais eventos desse tipo na cidade.
Até o fechamento da edição a organização do festival ainda não tinha números sobre o fluxo de pessoas que havia passado pela festa, mas sentiu que o público foi muito bom em relação ao ano passado. Seus organizadores explicam que a Festa Nordestina tem se consolidado no calendário de eventos londrinense e proporciona aos moradores daqui o contato com alguns aspectos da cultura nordestina, como apresentações de bandas de forró, recital de poesias e culinária típica.


