Londrina – O diagnóstico de uma doença grave altera a rotina de muitas famílias. Quem se prontifica a cuidar de uma pessoa enferma tem a difícil tarefa de se manter firme diante das adversidades e da mudança brusca para os rumos da vida. Foi assim com a técnica administrativa Marlene Marcelino da Silva, de 44 anos. Ela e o marido deixaram a residência em Ivaiporã, a 160 quilômetros de Londrina, e passaram a viver em uma casa de apoio em Londrina. O casal recebe abrigo durante a semana e mata a saudade de Ivaiporã aos sábados e domingos.
A carreira com mais de 20 anos no setor judiciário foi interrompida inesperadamente após o diagnóstico de câncer no marido. "Pedi licença por seis meses e não sei se eu vou voltar. Sinto falta das amizades, da rotina, mas a gente sabe que a doença pode voltar", relata ela, com lágrimas nos olhos. José Marcelino da Silva Neto, de 66, faz sessões de quimioterapia e radioterapia e retorna para a casa de apoio. O câncer na boca foi descoberto na fase inicial e, por isso, o tratamento intenso deve ser concluído nas próximas semanas.
O casal está junto há 14 anos. O marido de Marlene não esconde o abatimento, mas retoma a alegria de viver ao falar dos cinco cachorros que ficaram sob a responsabilidade dos vizinhos, em Ivaiporã.
Mesmo abalada com a mudança de planos, a técnica administrativa não se descuidou. "Já que eu iria acompanhar meu marido, eu procurei o meu médico e ele me indicou uma injeção para aumentar a resistência no organismo, também tenho apoio do psicólogo do hospital e as conversas com outros familiares nos ajudam. Carrego álcool em gel para todos os lugares", conta. Como acompanhante, Marlene sabe que precisa ser uma "leoa" e tenta controlar a fragilidade pela fé. "Só Deus mesmo", garante.
Angústia semelhante é vivida pela dona de casa Karen Cristina Rocha, de 26. A moradora de Arapongas veio a Londrina há pouco mais de um mês, logo que a primeira filha, de 1 ano, foi diagnosticada com tumor no fígado. A menina está internada no Hospital Universitário (HU) e a mãe acompanha cada passo do atendimento. "Foi um choque. Descobrimos há 45 dias. Teve um momento em que ela não conseguia mais respirar e foi direto para a UTI. O rim também ficou comprometido, ela teve que fazer hemodiálise, deu parada cardíaca, mas ela tem melhorado essa semana", diz, enxugando as lágrimas.
O marido da dona de casa trabalha em Arapongas e consegue visitar a filha aos finais de semana. Karen passa o dia todo no hospital e à noite segue para a Casa de Apoio do HU que oferece assistência aos acompanhantes de pacientes. "Para o meu marido é difícil. Eu tento me manter firme. Ver a melhora dela me anima. Mesmo saindo à noite, em pensamento eu fico aqui o tempo todo", ressalta.
A adaptação ao dia a dia do hospital precisou ser rápida. Karen dribla o cansaço e o desânimo com os sinais de melhora da filha. "Os médicos falam que se a gente desanimar, a gente desaba. Faço as refeições direitinho e tento me manter firme. A gente nunca pode perder a fé e a esperança. Depois que ela sair daqui, a batalha ainda continua", explica a dona de casa. A menina terá que enfrentar sessões de quimioterapia até se recuperar completamente.

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