O motorista do papa
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segunda-feira, 22 de julho de 2013
Wilhan Santin<br>Especial para a FOLHA 
Curitiba - "Sou um homem de muita sorte." É assim que o londrinense Genésio Moro, de 72 anos, resume um fato inesperado que acabou se tornando um grande acontecimento em sua vida. No dia 6 de julho de 1980, ele esperava seus passageiros ao lado do 7728, ônibus da Viação Garcia que Moro dirigia pelas estradas do Paraná e em ocasiões especiais como aquela. Motorista da linha Campo Mourão Curitiba, ele costumava ser convocado quando a empresa era contratada para transportar autoridades. Naquele dia conduziria um grupo de cardeais católicos, do Centro Cívico de Curitiba até o Aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba).
O papa João Paulo 2º (1920-2005) estava na capital do Paraná. Um público estimado em 1 milhão de pessoas assistia à missa celebrada por ele. Quando acabou a celebração, o papa, aos 60 anos de idade e mostrando muita disposição, ignorou o helicóptero que o esperava, juntou-se aos cardeais, embarcou no 7728 e sentou-se na poltrona reservada ao motorista auxiliar.
Incrédulo, restou a Moro embarcar também, dar a partida e tocar para o aeroporto, levando na poltrona ao lado um homem que 33 anos depois seria declarado santo. "Na hora eu nem acreditei que aquilo estava acontecendo", recorda o motorista.
Enquanto Moro dirigia, João Paulo 2º acenava para a multidão. Batedores e seguranças se esforçavam para evitar algum acidente. "Ele não parava de rezar, em voz alta, dando bênçãos e gesticulando com as mãos para o povo. Eu estava tenso, prestava atenção, era muita gente nas ruas", comenta.
Mesmo assim, o motorista não perdeu a chance de puxar conversa com seu passageiro mais ilustre. Disse que era de origem italiana, da família Moro. O papa se interessou, perguntou se ele não seria parente de um ministro italiano que fora assassinado pouco tempo antes. "Isso eu não soube responder", rememora.
Quando o ônibus chegou à pista do Afonso Pena, o papa polonês deu a Moro um terço, uma medalhinha e uma foto autografada. Em seguida, abençoou o motorista e se despediu.
Com quase duas horas de atraso em relação ao que recomendava o protocolo oficial, João Paulo 2º embarcou no avião que o levaria para Salvador, dando sequência à sua primeira visita ao Brasil, passando por 13 cidades em 12 dias. Moro levou o ônibus para a garagem. E chorou.
"Foi um choro de alegria. Dali para frente, meus companheiros de trabalho passaram a me chamar de João de Deus. Segui abençoado a minha vida toda. Nunca sofri acidente e gozo de boa saúde. Sou feliz", destaca o pai de Débora e Genézio Júnior e marido de Tereza Moro.
Morando em Curitiba, ele está aposentado e trabalha com o filho em uma fábrica de cadeiras. Mas antes de encerrar a entrevista, é questionado se toparia dirigir também para o papa Francisco. "É só me chamar que vou na mesma hora. E continuo bom motorista."
Papa Francisco
Autoridades responsáveis pela segurança do papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude que ocorre entre 23 e 28 de julho no Rio de janeiro - estão preocupadas. O pontífice, que costuma quebrar protocolos em suas aparições públicas, já manifestou o desejo de dispensar o papamóvel blindado durante o evento.
O estilo de Francisco é cada vez mais comparado ao de João Paulo 2º pelo carisma com os fiéis e pelas dores de cabeça para os seguranças.
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