O momento da virada
Londrina - Com tantas dificuldades, Alecsandra Oliveira Santos não conseguiu mais voltar a pensar nos estudos. Mas o sonho de se formar em Direito permaneceu adormecido, retornando à vida dela em 2005. "Tive uma crise feia de depressão, em função das preocupações e responsabilidades. Fiz um balanço do que tinha feito até aquele momento para melhorar e decidi que era hora de correr atrás dos meus sonhos", relata.
Foi neste período que decidiu ingressar no EJA. Mas, como o caminho mais fácil não faz parte desta trajetória, quando foi tentar recuperar o histórico escolar exigido na matrícula, não conseguiu encontrar o documento na capital paulista. O relatório de desempenho chegou apenas em 2010, quando ela finalmente se matriculou. Terminou o ensino fundamental e os dois primeiros anos do ensino médio na turma para jovens e adultos. Decidiu cursar o "terceirão" em uma turma regular do colégio estadual Newton Guimarães, para absorver conhecimentos suficientes para garantir a chance de passar no vestibular.
Apesar do desestímulo de um professor de matemática do EJA, que sem saber dos sonhos guardados no coração dos alunos aconselhou a turma de Alecsandra a não alimentar expectativas com relação a estudar na UEL, a estudante não desistiu. "Quando ele disse isso, fiquei três dias sem aparecer na escola. Mas superei, porque aquele professor não tinha o direito de acabar com meu sonho", afirmou. Não fez curso pré-vestibular por falta de condições, o que não a impediu de ser aprovada na segunda chamada do vestibular de Direito da UEL. "Entrei pelas cotas e me esforcei muito para conseguir. Sabia que seria chamada, nem que fosse para a última vaga", comemora.
É por isso que o maior orgulho de Alecsandra, hoje, está guardado na bolsa. "Olha aqui minha carteira de estudante da UEL", mostra ela à repórter ao final da entrevista, sem esconder o sorriso de satisfação por ter dado o primeiro passo em relação à concretização do sonho de menina. "Estudar é uma delícia, estou amando, apesar das dificuldades", conta a dedicada aluna que conseguiu encerrar o primeiro semestre sem pendências.
Mãe da bailarina Sabrina, que planeja estudar Biomedicina e recebe todo apoio para conseguir concretizar este plano, ela lembra que está apenas no início. "Ainda vou ser juíza para ajudar este mundo a ser mais justo", decreta. Aos leitores que chegaram ao fim desta história, nossa heroína lembra que "nunca é tarde para realizar coisas na vida". "Tem que correr atrás. O importante é querer mudar." (C.A.)





