Londrina - As autoridades não têm noção da quantidade de drogas que circula no País. O único parâmetro disponível são as apreensões feitas pelas polícias. É consenso, no entanto, que grande parte do entorpecente que entra no território nacional não é apreendido e chega aos consumidores.
''(A quantidade que circula) É uma incógnita. O que a gente sabe é que chega bastante'', confirma a professora do Departamento de Educação da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Araci Aniselli, que faz parte do Conselho Estadual Antidrogas.
Mesmo que o número de apreensões de drogas seja apenas uma sombra do que é o tráfico, essa quantia já serve para, no mínimo, dar uma dimensão do problema ou desse mercado. Para se ter uma ideia, em dezembro do ano passado, um leilão de bens de traficantes realizado em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba) arrecadou o valor recorde de R$ 1,675 milhão.
A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas do Ministério da Justiça leiloou joias, imóveis, carros e dois aviões. Os recursos foram repassados ao Fundo Nacional Antidrogas (Funad).
No ano passado, apenas no Paraná foram apreendidos 1,8 tonelada de cocaína, 1,7 de crack e 91 de maconha. Os dados são da Divisão Estadual Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil e das polícias Federal, Rodoviária Federal e Rodoviária Estadual. O valor de toda essa droga, com base no preço de comercialização para o consumidor final, é de aproximadamente R$ 253 milhões. Não entraram na conta os números da Polícia Militar, que não forneceu os dados.
Os dados repassados revelam crescimento de 50% da quantidade de cocaína apreendida em 2011, em comparação com 2010. No caso de crack, o aumento foi de 70% no mesmo período. Por outro lado, houve redução de aproximadamente 30% nas apreensões de maconha. Os números de 2010 foram 1,2 tonelada de cocaína, 1 tonelada de crack e 128 de maconha.
De acordo com o inspetor Ricardo Schneider, chefe da Seção de Policiamento e Fiscalização da PRF no Paraná, não há como fazer uma estimativa de quanto circula de droga no Estado. ''Não vai refletir a realidade. Não tem como mensurar. Alguém pode fazer (estimativa), mas a teoria não reflete a realidade'', declara.
Segundo Schneider, o Paraná é ponto de entrada para o entorpecente. ''O Estado faz fronteira com Paraguai, que é produtor de maconha'', alerta. De acordo com ele, o país vizinho é também um corredor para passagem de cocaína produzida na Bolívia e Colômbia.
Por isso, aponta, o segredo para combater o tráfico é o investimento em ''tecnologia e efetivo para atuar na fronteira. Pois é lá que é possível fazer um trabalho mais eficaz. É mais fácil pegar 50 quilos de maconha num caminhão do que depois, quando esses 50 quilos chegam e são dissolvidos em milhares de cigarros.''
Schneider explica que o poder do tráfico está na margem do lucro. ''Existe um lucro muito grande quando a droga chega no destino final''. No entanto, policiais preferem não revelar a diferença do preço da droga vendida na fronteira e o preço final nas mais diversas regiões do País.
Não é à toa que 3.181 homens, 498 mulheres, 1.422 meninos e 189 meninas foram presos ou apreendidos no ano passado, de acordo com dados da Sesp. Alguns podem ter entrado nessa estatística mais de uma vez, principalmente adolescentes, uma vez que a reincidência entre os traficantes é alta. Assim como o vestibular, a cada ano novos jovens e adolescentes são aprovados para entrar nesse triste mercado.
Mais do que números, a contabilidade das drogas esconde histórias de gente que foi vítima do vício ou que se envolveu com o comércio de entorpecentes. São histórias de crimes, perdas e até de esperança de recuperação. Num país em que o principal problema seria a falta de políticas públicas voltadas ao enfrentamento do tráfico.

Imagem ilustrativa da imagem O mercado do tráfico
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