A consequência trágica de uma brincadeira de criança mudou radicalmente a vida da fisioterapeuta Helaine Cristina Herrero, de 43 anos. Em agosto de 1996, a filha Flávia Cristina Herrero Oliveira, com 8 anos, morreu ao cair do 5º andar do prédio onde morava, em Londrina. A menina estaria repetindo uma ''brincadeira'' das crianças do prédio, tentando passar da janela do quarto para a sacada, mas se desequilibrou e caiu.
Helaine não gosta de relembrar o acidente, mas fez da memória da filha a inspiração para uma nova vida e para ajudar crianças com deficiência mental e física. Três meses depois do acidente, estava ajudando a criar a Associação Flávia Cristina que, hoje, atende com educação especial 75 crianças, a maioria carentes.
A fé em preceitos espíritas, apesar de não seguir a religião e ser de família católica, também a ajudou a abrandar a dor e aceitar o fato trágico. ''Se eu tivesse me desesperado, não teria a presença dela no plano espiritual. De alguma maneira eu ainda estou cuidando da minha filha e consegui manter o nome dela vivo. Quanta mensagem boa ela não está passando para as crianças daqui (da associação)? Quanta coisa bonita não surgiu da minha aceitação?'', questiona.
Hoje, a saudade é inevitável, mas o conceito de morte mudou para Helaine. ''A palavra não existe no meu vocabulário, não tem sentido, você não morre, apenas sai de um plano para entrar em outro. Claro que tenho saudade, ela era linda, amorosa, mas procuro não olhar para o passado, apenas viver o presente. Nós só estamos um tempo separadas. É como se ela tivesse viajado, mas não há cartas ou telefonemas, apenas o pensamento, que é muito mais poderoso e eu consigo sentir o que ela quer falar comigo'', afirma.
A experiência de Helaine está virando um livro. ''Quando aconteceu o acidente com a minha filha eu queria ler alguma coisa de uma mãe que tivesse perdido o filho, queria saber como ela tinha resolvido isso. Por isso comecei a escrever a minha história, quantas mães não passam por isso? É minha obrigação, uma chamada do plano espiritual, repartir a minha história'', conta. Helaine começou a escrever o livro dois anos depois do acidente, parou, retomou a escrita há cerca de um ano e meio e deve finalizá-lo até o final deste ano.

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