O medo de perigos que não existem
PUBLICAÇÃO
domingo, 03 de julho de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Tontura, mal estar, tremores e sudorese nas mãos. Sem qualquer motivo aparente, uma sensação de medo invade o corpo. O coração dispara. A impressão é que a morte é iminente.
Parece assustador? E é mesmo, para quem tem a síndrome do pânico, doença que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), atinge cerca de 3% da população, a maioria mulheres. Tais sintomas frequentemente levam a pessoa, na primeira crise, a procurar um pronto-socorro achando que é vítima de um infarto. No hospital, descobre-se que o coração está bem.
Estatística americana, segundo o cardiologista Ricardo José Rodrigues, de Londrina, aponta que dos pacientes que chegam aos PS com dor no peito, a suspeita é que 30% na verdade tenham síndrome do pânico.
Cada crise, explica a psiquiatra e docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Sandra Vargas Nunes, pode durar de 10 minutos a uma hora, e ser recorrente - tanto acontecer uma vez por mês, quanto todos os dias.
Também não há lugar ou hora para os sintomas aparecerem -pode ser em casa, no trabalho, em uma festa ou em qualquer lugar. ''A sensação é de irrealidade, que o mundo e o paciente estão diferentes. O medo é de perder o controle ou de ficar louco'', ressalta a psiquiatra.
Até que se faça o diagnóstico correto, é comum, alerta o cardiologista, que o paciente busque vários especialistas, sem descobrir o que tem. Caso da estudante Débora (nome fictício), de 22 anos, que demorou a descobrir que tinha pânico, apesar de quase perder o ano letivo na escola por causa da doença. E da universitária Fabiana (nome fictício), de 23 anos, que achava que seu problema era no estômago (leia texto nesta página) já que a doença também ataca o sistema gastrointestinal com cólicas e diarréias.
''Não é um diagnóstico fácil, às vezes o paciente não relata que tem medo, fala que é só tontura. E ainda é preciso afastar a possibilidade de outras doenças'', afirma Rodrigues, ressaltando que ''é comum os familiares acharem que é frescura, coisa da cabeça da pessoa''. ''Muitos sofrem e não sabem que é uma doença'', completa Sandra.
A síndrome do pânico, explica o cardiologista, é causada por um desequilíbrio na ação de alguns neurotransmissores do sistema nervoso central - a serotonina, a adrenalina e a noradrenalina. As crises, explica Rodrigues, podem ser desencadeadas por situações de estresse. ''Se sofreu um assalto, se vai fazer uma prova no vestibular, se usou drogas, ou mesmo se tomou muito café. A abstenção de álcool e drogas também simula o pânico, mas não é a doença'', afirma. O médico explica que, se a pessoa não tem patologias anteriores no coração, a taquicardia não causa maiores problemas.


