Londrina - Depois de dez anos correndo atrás para fazer valer seu direito, a aposentada Saida Mady, de 72 anos, comemora a recente compra de um carro zero, no qual obteve pouco mais de 20% de desconto com a isenção de imposto. A economia foi de quase R$ 11 mil. Diagnosticada com câncer de mama em 2002, ela desde então tentava obter a isenção, que foi negada por diversas vezes. "Depois de muita briga, aceitaram meu pedido. O médico daqui dizia que eu não tinha limitações", declara.
Por causa do câncer, Saida retirou parte do seio. E, como sequela da doença, tem de cuidar exaustivamente do braço por falta de glândulas de proteção. "Faço fisioterapia há muitos anos para o braço não inchar. Além da retirada de um quadrante da mama, tem a questão da idade. Não tenho mais a mesma força e habilidade de antes", pontua. Para tanto, precisava adquirir um veículo com direção hidráulica e câmbio automático.
Saida conta que por mais de cinco anos tentou conseguir a isenção que o advogado garantia que teria direito, mas esbarrava no que chama de "falta de respeito" à legislação. "A Receita Federal já havia concedido a isenção de sua atribuição. Mas o Detran insistia em negar." Ela fez reclamações diretamente ao Contran (Conselho Nacional de Trânsito) e exigiu exames em aparelhos de força que só estão disponíveis na capital. "Foi difícil, mas consegui." Da entrada no processo até pegar o carro da concessionária foram outros dois anos. Além da conquista no carro, ela também obteve a isenção do Imposto de Renda.
A aposentada C.F., de 61 anos, também teve de lutar para fazer valer o direito de isenção depois de ser diagnosticada, há 15 anos, com artrite reumatoide, doença que "ataca" o organismo deformando os ossos, dificultando movimentos simples do dia a dia, como caminhar ou dirigir. "Dei entrada no processo de carteira de deficiente em 2011. De lá para cá, foram vários exames para comprovar minha limitação, que piora com a idade. Somente em Curitiba é que consegui realizar exames específicos de força", lembra.
Depois do êxito em adquirir um veículo com desconto, ela se prepara, agora, para conseguir isenção no IR. "Se o carro já é difícil conseguir, o Imposto de Renda parece ser ainda mais burocrático. Tudo é muito complicado e a gente se cansa de ir atrás." Na opinião dela, o processo não deve deixar de ser rigoroso, mas poderia ser menos custoso. "Vou precisar entrar com advogado. É um custo que poderia ser evitado."
A assessoria de imprensa do Detran-PR informou que todos os pedidos são avaliados e analisados individualmente e, caso o pedido de isenção seja negado, há possibilidade de recurso em outra instância dentro do próprio órgão. A assessoria explicou ainda que as isenções são para pessoas que, comprovadamente, apresentam graus moderados ou graves de incapacidade física em decorrência de algumas doenças. No caso de Saida Mady, a junta médica alegou que o pedido inicial foi recusado porque ela teria capacidade parcial, mobilidade e força para dirigir qualquer tipo de veículo, e que, posteriormente, ela conseguiu comprovar o contrário.(M.T.)

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