O Líbano recupera-se dos ataques israelenses
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quarta-feira, 20 de outubro de 1999
Por Zeina Karam 
Beirute (AE-AP) - Quando os mísseis israelenses explodiram em junho, os libaneses temeram que muito do que eles haviam lutado por um longo tempo para reconstruir e restaurar seria perdido novamente: infra-estrutura, energia e a confiança dos turistas estrangeiros. Mas o país parece ter se recuperado rapidamente. Pontes e estações de força danificadas durante os ataques dos dias 24 e 25 de junho estão praticamente concertados e os turistas de final de verão voltaram atrás em seus precipitados cancelamentos de viagem. "Quando os ataques aéreos começaram, nós nos preparamos para o pior", disse Maya Halabi, porta-voz do Festival Internacional de Artes de Baalbek, que aconteceu entre 17 de julho e 21 de agosto. "Mas o festival acabou sendo um grande sucesso", conta ela, acrescentando que 35 mil espectadores compraram ingressos para Baalbek, um dos melhores resultados já alcançados.
Baalbek, local onde há antigas ruínas romanas, abriga diversas guerrilhas anti-israelenses. A área residencial da cidade foi atingida pelos ataques aéreos de junho, que foram uma resposta aos ataques de mísseis ao norte de Israel. O resultado foram 10 civis mortos e 55 feridos em todo o país.
Israel ocupa uma zona de fronteira no sul do Líbano e bombardeia a linha de frente quase que diariamente, mas seus aviões raramente atacam a área de Beirute. A última grande onda de reconstruções no país aconteceu em 1996 após um bombardeio israelense que deixou a cidade às escuras e matou pelo menos 150 pessoas.
Os libaneses continuam lutando para superar a destruição provocada pela guerra civil que durou de 1975 a 1990 e também dos últimos ataques, fazendo reparos e planos para promover dezenas de festivais de verão.
O fornecimento de energia, reduzido a duas horas por dia após os ataques, está quase regular. Funcionários do governo prometeram abastecimento ininterrupto este mês. Uma grande ponte unindo Beirute ao sul do Líbano que havia sido destruída pelos ataques aéreos deve ser reaberta em breve e os trabalhos em outras duas pontes estão sendo concluídos.
As doações para a realização das reformas, de árabes e libaneses, chegaram a 31 bilhões de libras libanesas (US$ 20 milhões), disse o governo. O turismo caiu 5% em julho, quando 100.823 turistas desembarcaram no país, contra os 106.379 em julho de 1998, um resultado nada animador para uma nação que experimentou fortes aumentos nesta área nos últimos anos, mas não tão mal quanto alguns libaneses temiam.
Os cortes de energia, que podem deixar a vida bastante difícil neste úmido país do Mediterrâneo de 3.5 milhões de habitantes, reduziu a velocidade dos negócios em julho de acordo com os donos de hotéis e restaurantes. "Pense bem: se você fosse um turista planejando suas férias de verão, você iria para um lugar onde o calor é sufocante e falta eletricidade?", pergunta Henri Khalifeh, gerente do hotel Riviera, que fica na orla marítima de Beirute.
Ele percebeu uma queda de 15% a 20% na ocupação dos 122 quartos do Riviera, que normalmente estão lotados em julho.
Merinette Orkhom, diretora de vendas e marketing do hotel Marriott, disse que os prejuízos não foram tão ruins quanto se imaginava inicialmente. "Nós continuamos bem, mas não devemos nos enganar. Ano passado foi muito melhor", disse ela.
Em agosto as coisas começaram a melhorar. O número de turistas foi 7% maior em relação a agosto de 1998, informou o Ministro do Turismo, Artur Nazarian aos executivos do setor no final de temporada em setembro. Nazarian creditou o aproveitamento das férias de verão ás rápidas ações tomadas pelas autoridades. Imediatamente após os ataques, o governo assegurou ao público que todos os eventos iriam seriam realizados. Na noite após os bombardeios, a Miss Rússia, Elena Rogojina, foi coroada Miss Europa em território libanês.
Medidas, incluindo a expedição de vistos de entrada, foram tomadas para facilitar as viagens. Um escritório foi aberto no aeroporto de Beirute para recepcionar os visitantes e responder quaisquer perguntas. "Minha mulher, que é um pouco medrosa, estava, a princípio, apreensiva em trazer as crianças para Beirute", disse o negociante kwaitiano, Abdullah al-Fahoum, que não havia visitado o país desde 1990. "Nós acabamos por desfrutar de férias maravilhosas".


