O legado de Tudjman: a incerteza.
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de dezembro de 1999
Por Snjezana Vukic, da AP 
Zagreb, 11 (AE-AP) - Para alguns croatas, é o fim do mundo. Para outros, a morte do presidente Franjo Tudjman significa o começo de um futuro melhor. Mas a maioria compartilha uma ansiedade motivada pela incerteza da era pós-Tudjman.
Tudjman, cuja morte foi anunciada nesta madrugada, conduziu a Croácia a sua independência da Iugoslávia em 1991. Para muitos, converteu-se em um verdadeiro símbolo da Croácia. Sua palavra era lei e não a designou a um sucessor: sua imagem parecia imortal.
Pouco depois de ser submetido a um tratamento médico em Washington em 1996, quando autoridades médicas norte-americanas disseram que padecia de câncer, Tudjman dedicou-se a jogar tênis e várias vezes negou que estivesse doente. Uma piada popular diz que as palavras iniciais de seu testamento eram: "Se algum dia eu morrer..."."Em sua percepção do mundo, depois dele, simplesmente, não haveria mais nada", disse o escritor Slobodan Snajder.
Muitos observadores e croatas comuns chegaram a temer que a própria existência do Estado pudesse estar em jogo sem Tudjman. "Ele era a garantia de nossa soberania", disse Boranka Mimic, uma professora aposentada de 64 anos de idade e uma ardente defensora de Tudjman.
Mas os croatas já estavam aprendendo a conviver sem Tudjman desde sua hospitalização no dia 1º de novembro. Ele foi destituído de seus poderes no dia 26 de novembro, quando a Corte Constitucional o declarou temporariamente incapacitado para governar, algo inconcebível dois meses atrás.
O presidente do Parlamento croata, Vlatko Pavletic, assumiu a autoridade de Tudjman e foram marcadas novas eleições presidenciais para dentro de 60 dias, pouco depois das eleições parlamentares do dia 3 de janeiro.


