O início da vida em debate
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domingo, 31 de julho de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Se o fim da vida, para a ciência, é a morte cerebral, quando se dá, exatamente, o início? Dessa questão é que surgem as discussões e polêmicas sobre a utilização ou não de embriões para pesquisas com células-tronco. Aspectos éticos e jurídicos sobre o início da vida são alguns dos tópicos que serão abordados no 1º Simpósio sobre Tendências da Biologia Contemporânea, que acontece na Universidade Estadual de Londrina (UEL), nos próximos dias 5 e 6 de agosto. A promoção é do Departamento de Biologia Geral, e o evento é dirigido a profissionais da área de saúde, estudantes e docentes.
Polêmicas à parte é preciso esclarecer que as células-tronco, que têm o poder de se desenvolver em qualquer tipo de tecido do corpo humano, tem outras duas fontes, além da embrionária - o cordão umbilical e a medula óssea. Essas duas últimas com permissão para serem usadas em pesquisas, que já vêm demonstrando que as células-tronco são uma esperança contra doenças como o diabetes, cardiopatias, mal de Chagas e esclerose múltipla.
Já o uso das células embrionárias ainda não é possível por conta de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). A alegação do procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, é que a Lei de Biossegurança fere o artigo 5º da Constituição Federal de que ''todos têm direito à vida''. E ele considera que a vida começa na fecundação.
Segundo o cardiologista e presidente do Comitê de Bioética do Hospital Universitário, José Eduardo Siqueira, não há comprovação científica do início da vida, mas há questões éticas a ponderar quanto ao uso de embriões. Para ele, que defende a tese da deliberação, é preciso diálogo da comunidade nas decisões morais. ''Nesse modo de pensar não há uma solução única, mas a busca da mais razoável e prudente, considerando os valores de todos'', afirma.
É por isso que acha razoável a utilização de embriões congelados, aqueles que não foram utilizados para a concepção. ''Estes já foram considerados pelos especialistas inadequados para implantar. E o que se vai fazer com eles? O casal não vai querer mais. É diferente de produzir um embrião para pesquisa, isso não me parece razoável'', pondera.
Mas porque utilizar células embrionárias, que causam tanta polêmica, se existem as outras duas possibilidades? A resposta, segundo Siqueira, está na capacidade de reprodução das células-tronco embrionárias, que é quase infinita, diferente da adulta.
Serviço:
1º Simpósio Tendências da Biologia Contemporânea: Células-Tronco e Reprodução Humana, dias 5 e 6 de agosto no Anfiteatro Cyro Grossi, na UEL. Mais informações no site www.uel.br/ccb/bioetica/clonagem ou pelo telefone (43) 3371-4417


