O incômodo da rinosinusite
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de abril de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
É só a temperatura começar a baixar que começam a aparecer casos de pessoas com nariz entupido, coriza, dor de cabeça - com a famosa sinusite. O termo mudou, ficou mais atual - agora é rinosinusite - mas, os sintomas continuam incômodos e a doença fácil de ser confundida com uma rinite ou mesmo um simples resfriado.
A médica otorrinolaringologista Rosana Emiko Heshiki, docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL), confirma que o quadro clínico das doenças é mesmo muito semelhante e explica que a chave para diferenciá-las é o tempo de duração dos sintomas. Foi instituído que quando há dor de cabeça é sinusite, mas não é exatamente isso, ressalta.
A definição para a sinusite é uma inflamação da mucosa dos espaços paranasais, que pode ser na região da maçã do rosto ou na região entre os olhos - por isso a dor que provoca na face. O processo sempre começa pelo nariz e daí evolui para os seios (espaços) paranasais. O resfriado comum não deixa de ser uma rinosinusite, mas de origem viral, explica.
No caso do resfriado, como o vírus tem um ciclo de vida relativamente curto, a duração é de sete a dez dias. Ele deve ser tratado com repouso e muita hidratação, que ajuda a eliminar o vírus e fluidifica melhor a secreção do nariz. Medicamentos podem ser usados, se receitados por um médico.
Já a rinosinusite aguda se caracteriza por uma duração de até oito semanas em adultos e 12 semanas em crianças, com agravamento dos sintomas - secreção e dor de cabeça mais intensas.
O agravamento ocorre porque a inflamação é causada por uma bactéria. A médica explica que o próprio vírus do resfriado pode ser o causador da crise de sinusite, abrindo a porta para a bactéria entrar e colonizar o local. Dor facial, cefaléia e secreção nasal que persistem por mais de sete dias podem ser rinosinusite, aponta, ressaltando que o paciente com a doença ainda pode apresentar febre e cansaço.
No caso de sinusite é preciso procurar um médico que irá avaliar a necessidade de usar um antibiótico. O grande erro é tratar desde o começo com um antibiótico, colaborando para que as bactérias criem resistência ao medicamento, avalia. Ela ressalta que dos resfriados comuns só de 0,5% a 2% dos casos evoluem para uma rinosinusite aguda.
O importante, segundo a médica, é evitar que a secreção ocupe os espaços paranasais. Por isso, logo que acontecer a obstrução nasal é preciso procurar orientação médica. Mas, o medicamento deve ser usado de maneira correta - a médica alerta que os descongestionantes nasais podem ter efeito contrário se usados por mais de cinco dias continuamente.
Crises freqüentes de rinosinusite podem caracterizar um caso crônico, que deve ter suas causas investigadas. Em adultos, o mais comum são as alterações anatômicas, como o desvio de septo nasal, e nas crianças, o aumento das adenóides (uma carne esponjosa do nariz). Em alguns casos é indicada cirurgia, aponta.
Apesar da crise de rinosinusite ter um tempo de duração limitado, é preciso tratá-la, por causa das complicações - a permanência da bactéria no organismo pode evoluir para uma otite ou uma meningite.


