São Paulo- O livro que o fotógrafo André François acaba de lançar, em São Paulo, é uma injeção de carinho em um modo de agir que desafia a pressa, a precariedade e quase sempre a realidade fria e desanimadora do sistema de saúde brasileiro. O livro ''Cuidar - Um Documentário sobre a Medicina Humanizada no Brasil'' traz exemplos de profissionais da saúde que lidam com seus pacientes buscando fazer, nas palavras de um deles, o humanamente possível, apenas.
O afago que a enfermeira do Hospital do Câncer de Fortaleza faz na careca de uma menina que passou por quimioterapia é eloquente. Ao carregar nos braços uma criança anestesiada rumo à sala de cirurgia do mesmo ICC, o anestesista Francisco Hélio Cavalcanti consegue mais do que diminuir o trauma dos pacientes infantis que são operados, fazendo com que o gesto simples seja muito. O exemplo de Hélio é também um antídoto contra a indiferença que contagia tantos colegas seus.
Além de 108 imagens em preto-e-branco, ''Cuidar'' traz dezenas de depoimentos, nem sempre heróicos, às vezes humanamente honestos, como o do chefe de cirurgia do Hospital Pequeno Príncipe de Curitiba, Sylvio Avilla, que relata como assumiu diante de uma mãe advogada a responsabilidade por um erro médico que tirou temporariamente o movimento do filho dela. Outro médico, o também escritor Moacyr Scliar, dimensiona o valor da obra no título de seu prefácio: ''Aqui está o caminho''. A opinião mais contundente, porém, foi do médico Patch Adams que, após ter sido dado como louco, criou o conceito de medicina humanizada, inspirando de um filme em Hollywood ao grupo brasileiro Doutores da Alegria. ''Cuidar é o mapa para estancar a violência e a injustiça.''
Nos 17 serviços médicos visitados nas cinco regiões do Brasil, em um trabalho que teve o patrocínio da gigantesca Roche, foram feitas 25 mil fotografias. Estão lá o pai que carrega o tubo de soro que alimenta a filha pelo corredor do hospital e a mãe que paralisa sua vida para melhorar as chances de recuperação da filha internada.
Em mais esse trabalho, o paulistano François, de 40 anos, persegue a mesma ideologia que norteou outros projetos desenvolvidos através de sua organização não-governamental ImageMágica, ''inspirar novas atitudes que considerem o 'cuidado' como ponto de partida de todas as relações humanas''.

Serviço:
''Cuidar''. De André François. Editora Sixpix Content. 248 págs. R$ 117.

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