O homem, adversário do ambiente

Comemora-se neste mês (5/6/) o Dia Mundial da Ecologia e do Meio Ambiente. É preciso cuidar bem dessa riqueza.
EcologiaNas más relações do homem com o meio, perdem o ambiente a flora, os animais silvestres, e o próprio homem
Monteiro Lobato, que costumava viajar a cavalo no Vale do Paraíba, observava a destruição da Natureza pelo caboclo. Por isto Lobato não perdoava os caboclos, como mostra no livro de contos, ‘‘Urupês’’. O caboclo usava um sistema daninho na relação com seu meio: botava fogo no mato, pra limpar a terra e fazer plantação; derrubava as árvores, deixava o ambiente ‘‘pelado’’. Em um sítio, onde se desetacava uma paineira excepcionalmente florida, o caboclo derrubou a árvore...pra colher as painas!
Hoje, o Vale do Paraíba é um cupinzeiro só. Dá pena ver aqueles morros cheios dos ‘‘caroços’’ de terra, como um câncer, formados pelos cupins. Consequência da agricultura predatória usada pelos caboclos, que limpavam uma terra de seus matos e bichos, plantava uma rocinha e quando a terra ali não dava mais nada, iam destruir uma área mais adiante. Monteiro Lobato tinha razão em sua birra contra os caipiras serranos de São Paulo. Eles, porém, eram inocentes. Não sabiam, por exemplo, que o impacto de uma gota de chuva no solo ‘‘pelado’’, sem plantas (a falada ‘‘cobertura vegetal’’), ‘‘é o início de todo o processo de degradação das terras agrícolas’’, como observa o engenheiro agrônomo Saul Bianco, coordenador do Clube da Árvore, um programa da Souza Cruz.
Bianco lembra que uma gota de chuva pode cair no solo a velocidadee de até 32 km por hora, e pode jogar partículas de terra à altura de 60 cm e 1,5 metro para os lados. O uso ‘‘indiscriminado’’ de agrotóxicos é outro dos males da agricultura, pois os venenos destróem a vida microbiana dos solos, contaminam as águas e colocam em risco a saúde e a vida do homem. Ainda bem que nos tempos de Monteiro Lobato não havia DDT e outros agroquímicos. Os males causados ao homem e ao ambiente teriam sido piores!
Água suja
Na introdução ao Atlas do Meio Ambiente do Brasil, editado pela Embrapa, os autores lembram que 113 trilhões de metros cúbicos de água circulam pelos ares, mares, lagos e rios da Terra. ‘‘A água que circula pelos canais da vida é sempre a mesma...vai e volta como a água reciclada pelo filtro de uma piscina. A diferença é que nos esquecemos de colocar um filtro nas águas utilizadas em todo o Mundo, e o resultado é que poderemos ficar sem água para beber antes de entrarmos no ano 2000...’’
Parece um exagero e para nós, brasileiros, certamente é...por enquanto. Temos ainda muita água e nossa população cresce menos a cada ano: diminuiu da ‘‘velocidade’’ de 2,89% na década de 60 para 1,89% na década de 90. Os cientistas que fizeram o Atlas do Meio Ambiente do Brasil prevêem que a partir de 2075 a população brasileira parará de crescer, estabilizando-se ao redor de 265,5 milhões de pessoas. Por outro lado é crescente o uso de água na irrigação e nas indústrias. O problema não é tanto a quantidade de água, mas a qualidade. A água doce corresponde a apenas 1% de toda a água que circula nas veias do Mundo, e além disso está poluída pelos chamados metais pesados, como mercúrio, que comprometem a vida humana. Quer economizar água doce de boa qualidade? Fecha a torneira, não a deixa pingando. Cada gota de água que sai da sua torneira, estará poluída em pouco tempo, precisará ser captada de novo e reciclada.

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