O futuro dos medicamentos
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domingo, 10 de julho de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
São Paulo- Se o século passado foi denominado por cientistas como o século da física, esse é o da biologia. A afirmação é do professor alemão Gunter Stock, responsável pela área de Pesquisa e Desenvolvimento do grupo Schering AG, indústria farmacêutica que, na última semana, apresentou à imprensa avanços da farmacogenômica no desenvolvimento de novos medicamentos.
O termo farmacogenômica, a princípio, é incomum para a maioria das pessoas, mas é a ciência que promete revolucionar o tratamento de doenças ao estudar o conteúdo genético dos pacientes. Stock explica que ao estudar o DNA, o RNA e as proteínas será possível prescrever tratamentos cada vez mais individualizados, já que ficarão conhecidos mais ''alvos'' a combater. ''Não somos iguais ou uniformes na saúde ou na doença, e nem na resposta a um medicamento'', enfatiza.
Segundo o especialista, a farmacogenômica vem trabalhando para que exista o ''medicamento correto para o paciente correto''. No entanto, ele ressalta que ''nunca haverá'' um só droga para uma única pessoa, mas medicamentos destinados a grupos pequenos da população, com carga genética semelhante e que respondem de forma parecida ao tratamento. Tudo isso para propiciar benefícios como a redução dos efeitos colaterais e o aumento da eficácia e da resposta do indivíduo ao tratamento.
Outro desafio da medicina, segundo o médico Alexander Tobias Teichmann, professor titular de ginecologia e obstetrícia da Universidade de Göttingen, da Alemanha, é com o envelhecimento da população proporcionar mais qualidade na vida dessas pessoas. ''No processo biológico normal, com o envelhecimento, as chamadas células sentinelas diminuem em qualidade e quantidade. Um dos preços de se viver mais tempo é o surgimento de mais casos de câncer'', alerta.
Teichmann explica que não é possível mensurar quantos novos casos de câncer poderão surgir, mas que o desafio é fazer o diagnóstico cada vez mais cedo. ''O desafio é fazer com que o câncer não seja uma doença letal, mas crônica, tratável, para depois erradicá-la. Precisamos primeiro nos tornar familiares com o câncer, como nos tornamos da diabetes'', exemplificou.
Segundo Teichmann, uma das alternativas de tratamento para o câncer, ainda teórica, é a criação de uma substância que previna a doença, causada por um gene específico. ''É como se esse gene tivesse duas posições, ligado e desligado, e a substância pudesse mantê-lo desligado'', explica.
A previsão é que na próxima década os laboratórios farmacêuticos já disponibilizem tratamentos desenvolvidos a partir da farmacogenômica, ciência que surgiu há cerca de 10 anos. A Schering AG, segundo Stock, investe anualmente em pesquisa clínica e investigação de novos fármacos cerca de 20% do seu faturamento, cerca de 1 bilhão de euros.


