O fim de Paris está próximo, diz Paco Rabanne Do correspondente Gilles Lapouge
Paris, 30 (AE) - Amanhã, dia 31 de julho, será o último dia da cidade de Paris. Haverá um apocalipse, o fogo do céu, tremores de terra, o Sena carbonizado, uma noite muito escura, milhões de mortos. Paris (a "puta da Babilônia") será eliminada da face da terra.
Isto é muito sério. Foi um homem famoso, o grande estilista Paco Rabanne que nos advertiu disso (seu verdadeiro nome é Francisco Rabaneda-Cuervo, nasceu na Espanha em 1934; em seguida, após seu pai ter sido fuzilado pelos franquistas, mudou-se para a França, onde se tornou um costureiro, riquíssimo e célebre).
Quando não desenha vestidos, o que faz Paco? Infelizmente pensa. E sua profecia sobre o fim de Paris é um dos produtos desse pensamento.
Um livro recente traça o programa desse Apocalipse. O título é 1999. Le feu du ciel (Éditions Michel Lafon).
Tentei lê-lo. É de causar consternação: falsa erudição, tolices e pretensões (Paulo Coelho é um gênio literário e uma cabeça científica se comparado a esse Rabanne...). Mas foi Paco Rabanne que escreveu e sua profecia provoca pequenos pânicos.
Na rádio, uma velha senhora aterrorizada explica: "Para mim, azar, sou velha e pobre, vou morrer no dia 31 de julho. O que me preocupa são meus dois gatos. Procuro alguém, no campo, que queira acolhê- los.
Rabanne forneceu várias datas para o desencadeamento do Apocalipse parisiense. Em primeiro lugar, ele havia marcado para o dia 31 de julho. Mas, como o mês de julho está chegando ao fim e não há o menor perturbação no cosmos, ele refez seus cálculos e adiou uns poucos dias a catástrofe.
Ele interpretou que o apocalipse coincidiria com o grande eclipse do sol previsto para o dia 11 de agosto, e que será o último eclipse total do milênio. Então, é melhor agrupar os acontecimentos. O Bom Deus aproveitará esse eclipse para lançar o fogo sobre Paris. Isso será uma grande economia!
Em seguida, Rabanne ainda "retificou" o tiro. O aniquilamento de Paris não seria provocado pela queda da lua, mas por aquela da estação espacial Mir, que deve voltar à terra mais ou menos nesse mês de agosto.
Por precaução, Rabanne preferiu sair de Paris. Ele foi se esconder no campo. E, como ele tem bom coração, fechou sua casa de costura de modo que as "aprendizes de costureiras" e as costureiras não sejam bestamente carbonizadas. Observemos, no entanto, que a catástrofe não está absolutamente certa. Em seu livro, Rabanne explica que ele reza da manhã à noite, em seu lugar de retiro desconhecido, para acalmar o Céu e desviar a mão terrível do Deus vingativo!
Como o costureiro espanhol foi informado dessa maldição próxima?
Trabalhando muito. Ele examinou minuciosamente uma biblioteca de livros religiosos, proféticos, astrológicos, esotéricos, e não teve dúvida. Ele cita uma centena de profecias, entre a Idade Média e hoje, confirmando essa maldição.
E arregimentou também duas pessoas consideráveis: a Virgem Maria que, de tempos em tempos, encontra um pastor ao qual ela anuncia que "o fim está próximo!" E, sobretudo, o visionário francês do Renascimento, Nostradamus, de quem o livro As Centúrias, sempre reeditado há quatro séculos, contém a história do mundo.
A questão, com Nostradamus, é que se trata de um verdadeiro gênio literário e que sua profecias são expressas em belo francês do século XVI, com extremas complexidades poéticas, se bem que é sempre difícil interpretá-lo. Todavia, é verdade que, em outras ocasiões, as profecias de Nostradamus pareceram inquietantes. Ora, o que diz Nostradamus sobre o apocalipse de Paris? Ele diz: "Ano mil novecentos e noventa e nove e sete meses do céu virá um grande Rei Assustador, ressuscitar o Grande Rei de Angoulmois, antes de depois de março reinar pela felicidade".
Admitamos que Nostradamus fala exatamente do ano de 1999 e do mês de julho. O restante é bem vago. Mas admitamos também que, literariamente, esse texto é muito bonito (não o de Rabanne, o de Nostradamus).
Deu para perceber que, pessoalmente, não acredito muito em Paco Rabanne. E, se saio de Paris amanhã, por duas semanas, não é para fugir do fogo. É para tirar um pouco de férias.





