O Congo sob Kabila se parece muito com o da era Mobutu
O Congo sob Kabila se parece muito com o da era Mobutu9/Mar, 11:51 Por Alexandra Zavis Kinshasa, Congo (AE-AP) - É a primeira coisa que você vê quando aterrissa no aeroporto, ao aproximar-se de um pôster de dois andares de altura. Está em fotos suspensas em postes de rua nas paredes dos hotéis e nos escritórios do governo. A face do presidente Laurent Kabila está em toda parte. Kabila foi saudado como um libertador quando seu exército rebelde tomou o poder do terceiro maior país da áfrica em 1997, prometendo reconstruir e democratizar a nação arruinada pelo ditador Mobutu Sese Seko. Menos de três anos depois, seu regime parece-se cada vez mais com as práticas da era Mobutu, a não ser pelo cuidadoso cultivo ao culto de sua personalidade. "Nós todos esperávamos grandes mudanças, mas Kabila não faz nada além de copiar Mobutu", diz Salumu Mwana Lufu, secretário-geral do Movimento Nacional de Lumumba, um dos numerosos partidos políticos que fazem oposição ao governo de Mobutu. O Congo foi arruinado por décadas de negligência governamental e corrupção sob a administração de Mobutu, que tornou-se um dos homens mais ricos do mundo ao pilhar as vastas riquezas minerais do país, na época denominado Zaire. Desde então, a miséria dos empobrecidos cidadãos do Congo apenas aumentou. Hospitais não têm remédios. Escolas foram fechadas. Estradas, se existentes, não podem ser utilizadas em grandes áreas do interior do país. Kabila culpa a última guerra civil na nação da áfrica Central pela falta de mudanças, políticas ou econômicas . Apesar do acordo de cessar-fogo, alcançado no último verão, as lutas continuam e poucos esperam que o Conselho de Segurança da ONU vote, no próximo dia 24, pela autorização de uma força de monitoração para eliminar os combates em pouco tempo. "Mesmo com a guerra, o governo tem dinheiro para comprar armas, então eles deveriam ser capazes de comprar um pouco de comida para as pessoas", disse Mamina Masengo, estudante universitário Kabila disse que não estava interessado em estabelecer ligações com poder quando derrubou Mobutu, e prometeu eleições no prazo de dois anos. Mas ele imediatamente suspendeu toda a atividade política e deu a si mesmo grandes poderes para governar sem um poder legislativo até que uma nova constituição seja adotada. Quase três anos depois, e 18 meses depois que seus oponentes terem iniciado uma rebelião contra ele, não há demonstrações de que ele vá ceder na manutenção de seu poder. Enquanto diz que está desejoso em dividir o poder com um legislativo eleito, ele ainda não esclareceu quais seriam os poderes do novo corpo político e suas responsabilidades ou mesmo estabelecer a datas para as eleições. Como Mobuto, ele cercou-se de confidentes de sua província natal e colocou parentes na chefia do exército, ministérios governamentais e agências de segurança. Mas enquanto Mobuto começou a permitir a formação de partidos de oposição e tolerou algumas críticas nos últimos anos de seu governo, sob o governo de Kabila, políticos, jornalistas e ativistas são rotineiramente molestados e detidos. A proibição de grupos políticos foi levantada um ano atrás, mas a nova lei requer que partidos registrem-se e preencham numerosos requerimentos, entre eles certificados médicos atestando que seus membros estão em perfeita saúde. Todos os partidos recusaram-se a fazer o registro. Kabila tem sido linha dura até mesmo com seus próprios ministros, proibindo-os de encontrar-se com diplomatas sem a permissão do ministro do Exterior. Kabila diz que a democratização foi prejudicada pela guerra. Ele havia anunciado as datas para as eleições, mas, então, alguns tutsis étnicos, desafetos dos soldados congoleses e políticos de oposição rebelaram-se em agosto de 1998, acusando Kabila de má administração, corrupção e de instigar a população à guerra. Um cessar-fogo foi assinado no dia 10 de julho por Kabila e seus aliados Zimbábue, Angola e Namíbia, e por Ruanda e Uganda que apóiam os rebeldes. As principais facções rebeldes aderiram nas semanas seguintes Mas Kabila parece mais desejoso de consolidar seu poder do que em criar um clima de abertura para o diálogo nacional sobre o futuro político do país e eventuais eleições, como contempla o acordo. Um filme mostrando um luminoso Kabila dirigindo-se a empolgadas multidões é transmitido toda noite na televisão nacional após as notícias. Ele fundou comitês locais do Poder do Povo para promover um sendo de responsabilidade cívica e recrutou dezenas de milhares de pessoas para um força de defesa civil. Ele também encenou uma campanha de 15 dias de "Despertar Patriótico", apresentando comícios nos quais pessoas se amontoavam carregando pôsteres de Kaliba e vestiam roupas tradicionais africanas nas quais estavam estampadas sua imagem. O governo afirma que tais esforços são necessários para construir um senso de identidade nacional através deste vasto e desorganizado país. Mas os oponentes de Kabila estão céticos. O Despertar Patriótico é mais sobre "o culto da personalidade do que um alívio para o sofrimento do povo e a construção de valores nobres de patriotismo, confidência e solidariedade", diz Floribert Chebeya Bahizire, presidente da Voz dos Sem-voz, um grupo que luta pelo direito dos cidadãos. Enquanto vastas somas de dinheiro são gastas com propaganda, muitos dos habitantes da decadente capital, Kinshasa não fazem sequer uma refeição por dia. "Quando eu for para casa hoje, as crianças irão correr em minha direção", diz Honore Kambeke, um operário de manutenção de 57 anos que tem 13 filhos para alimentar. "Quando você não tem nada para dar a eles, dá vontade de chorar". Incapaz de sobreviver com seu salário mensal de 200 francos congoleses (US$ 9), ele planta vegetais no jardim da estação de rádio e televisão nacional, onde trabalha. O governo culpa a guerra pelas desgraças econômicas, que espantou investimentos privados e causou o quase colapso total da economia formal. "Todas as guerras que o mundo já conheceu sempre destruíram a economia", diz Kaliba. Mas as próprias políticas do governo, entre elas o controle de preços e severas regulamentações de câmbio, baixou a oferta de moedas metálicas e contribuiu para a queda da economia. "Ao mesmo tempo em que acreditamos que o regime de Mobutu foi o pior do continente", diz Sylvain Kamanyi. "Nós nunca pensamos que poderia haver um pior".





