Pequim (AE-AP) O comércio eletrônico pode estar ávido para agarrar o forte mercado de 1.25 bilhão, o forte mercado chinês, mas parece que a China não está totalmente pronta para ele.
Apesar de o acesso à Internet permanecer relativamente limitado neste país em desenvolvimento (há apenas sete milhões de usuários), ele está se expandindo rapidamente. E os negócios eletrônicos entusiasmados agarrar um nicho no maior mercado potencial do mundo.
Mas como geralmente acontece com a China, a ênfase está na palavra "potencial". Enquanto os negócios baseados na web aumentam, a infra-estrutura para sustentá-los, cartões de crédito, serviços de entrega confiáveis e de proteção ao consumidor, são mínimos.
"O grande problema são os pagamentos on-line", diz Duncan Clark, da BDA, uma consultoria de Internet na China. "Há todo o problema de entrega e a questão da propaganda. Há tantos obstáculos".
Os bancos chineses estão começando a oferecer serviços pela Internet, mas a falta de regras reguladoras e de segurança dos computadores estão fazendo com que esses esforços percam suas forças.
"O problema de segurança no ciberespaço na China é tão grande que não pode ser resolvido apenas por nós. Então, estamos provendo apenas serviços pessoais limitados", diz Deng Huafeng, do departamento de serviços bancários pela Internet do China Construction Bank. Até mesmo companhias que aceitam cartões de crédito ou cartões de débito pré-pagos para pedidos exigem pagamento á vista no momento da entrega.
Este foi o tipo de problema que Zhang Song encontrou durante sua tentativa de sobreviver apenas pela web, num recente experimento que durou 72 horas.
Como os outros 11 participantes do teste, Zhang foi trancado num quarto de hotel com um computador, uma linha telefônica, algumas cadeiras, uma mesa, uma cama vazia, US$ 180 em dinheiro, o equivalente a esta quantia em crédito e dois rolos de papel higiênico.
Zhang começou por pedir o que era mais necessário: comida, água, roupas e roupa de cama. Ele se inscreveu numa conta publicada no jornal Southern Weekend. No final, ele conseguiu água e leite de soja, embora tenha reclamado que 24 cents de leite tenha custado a ele US$ 2.40 em taxas de entrega, cobradas à vista.
Apenas uma das cobaias deixou a experiência: uma pessoa de 18 anos, que não tinha qualquer experiência com Internet, e que desistiu porque não conseguiu enviar um e-mail.
"Ele saiu não porque estivesse com fome, mas por desespero"
disse um dos funcionários da companhia que conduziu o experimento, mas que não quis se identificar.
O teste foi aparentemente conduzido por um web site privado www.Dreamers.com, mas seus reais patrocinadores foram o Conselho do Estado, o Gabinete da China e o Ministério da Indústria da Informação que estão estudando os resultados, informou um dos membros da equipe.
O governo continua dividido quanto a permitir o acesso público a uma ferramenta tão difícil de controlar, mas está olhando para a Internet como uma ajuda para adquirir tecnologia avançada para a China e impulsionar a economia.
"O comércio eletrônico na China, apesar de estar ainda em estágio inicial, vem caminhando a passos largos", disse o vice-premier Wu Bangguo durante a abertura de uma exposição sobre o tema em Pequim, algumas semanas atrás.
Num país como a China, onde as manufaturas são geralmente isoladas em seus mercados locais, sem quaisquer meios de encontrar consumidores potenciais, a Internet pode ser uma dádiva dos céus. "Os chineses são muito criativos e muito bons negociantes. Isso deve refletir-se na Interet", diz Clark.
Alguns participantes do experimento no ciberespaço gostaram da experiência das compras virtuais, adquirindo hardware, jogos, livros, flores e cosméticos. "Eu fiquei muito feliz o tempo todo e não me importaria em ter ficado mais tempo", o Web designer Liang Bixia, de 25 anos. Mas para a maioria, a experiência foi uma experiência bastante difícil. Os itens pedidos no geral nunca chegaram porque os bancos pedem até dez dias para checar a autenticidade dos cartões de débito.
"O teste concluiu que a China não está pronta para a era do comércio eletrônico", pronunciou o jornal China Daily, num comentário acompanhado pela charge de um homem com aparência de louco mordendo o teclado. "A comida que você pediu chegará em sete dias", estava escrito na tela do seu computador.

mockup