O cisto e o susto de Malu Mader
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de agosto de 2005
Deborah Bresser<br>Agência Estado 
Linda, famosa e saudável, a atriz Malu Mader pregou um susto e tanto na família e nos fãs, quando foi internada há duas semanas, no Hospital da Caridade, em Florianópolis, após sofrer uma convulsão. Exames preliminares detectaram um cisto no crânio, fora do cérebro. Malu foi levada à UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e, depois de passar mais de 24 horas em observação, foi liberada.
Posteriormente, a atriz foi submetida a uma cirurgia para retirada do cisto e já teve alta da Clínica São Vicente, lúcida, orientada, sem seqüelas neurológicas. Segundo o laudo médico final, o exame histopatológico definitivo revelou cisto benigno glioependimário, de origem cerebral, congênito. Hein?
O caso da atriz deixa qualquer leigo com a uma ruga de interrogação entre as sobrancelhas. Convulsão? Cisto no crânio? Cirurgia no cérebro? Medo é o mínimo que se sente ao ouvir essas palavras, mas ninguém precisa se apavorar na primeira dor de cabeça. Já na primeira convulsão, é melhor procurar um médico imediatamente.
A convulsão é, em muitos casos, apenas um sintoma de irritação cerebral, não é típica de nenhuma doença. Portanto, todo paciente que tenha uma convulsão deve ser investigado com tomografia ou ressonância, explica o médico Paulo Niemeyer Filho (neurocirurgião), acrescentando que o cisto glioependimário é um cisto congênito, que se origina em células de uma estrutura profunda do cérebro chamada ependima.
Por uma variação durante a formação embrionária, algumas dessa células são encontradas à distância do local de origem, onde formam cistos. Esse cisto é congênito e benigno, não necessitando tratamento quando é um achado sem sintomas, continua o médico que operou Malu Mader. Segundo ele, deve-se considerar o tratamento cirúrgico apenas para os cistos que dão sintomas (como uma convulsão) ou quando não é possível um diagnóstico de certeza pelos exames, mas a recidiva é rara.
Após uma convulsão, deve-se investigar a causa. São indicados exames de imagem, eletroencefalograma, exames laboratoriais (de sangue), e exame do liquor (que vai indicar a presença de infecções, hemorragias, meningites), aconselha Eli Faria Evaristo, neurologista do Hospital das Clínicas (SP). Ao se ver uma lesão causadora de um sintoma como uma convulsão, mesmo que ela seja supostamente benigna, existe a tendência em se indicar a retirada. Durante a cirurgia, pelas características da lesão, dá para indicar a natureza o cisto, mas só a análise anatomopatológica dará o veredicto final, explica Evaristo.
Os cistos podem ser aracnóides, que são como um saco plástico fininho cheio de água dentro, não dão sintoma e são considerados achados de exame. A pessoa nasce com aquilo e fica com ele sem nenhum problema, diz o neurologista Eduardo Genaro Mutarelli, professor da Faculdade de Medicina da USP. Já o cisto causado pela cisticercose é provocado pela ingestão de ovos da tênia presente nas fezes de porcos contaminados. Comer carne de porco não dá cisticercose. Mas uma alface mal-lavada pode esconder o scolex, o alien que quer virar verme e pode se alojar em diversos locais do corpo humano: músculo, cérebro, olho.
No cérebro, é comum virar cisticerco. Pode não causar nada. Mas pode dar dor de cabeça, convulsão. Sempre que um cisto esteja causando dano, devemos abordá-lo. A dor de cabeça, quando começa, é sinal de alerta. Pode ser primária (alteração de neurotransmissores) ou secundária (sinal de doença).
Também há a convulsão, a dormência, a paralisia, alerta Pedro Paulo Porto Jr., neurologista do Hospital Albert Einstein e membro da Academia Americana de Neurologia. A recomendação é uma só: vá ao médico. E rápido.


