O Cangaço como atração turística
O sol principiava nascer naquele 28 de julho de 1938, quando a volante - grupo de policiais que caçava cangaceiros pela caatinga - comandada pelo tenente João Bezerra se aproximou da Gruta dos Angicos, situada no município sergipano de Poço Redondo às margens do Rio São Francisco. Estava pronta a emboscada que culminou com a morte e decaptação dos corpos de Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros que pernoitavam no lugar. As cabeças foram levadas e expostas em frente à sede da Prefeitura de Piranhas, cidade alagoana de onde tinha partido a volante e que ficava oito quilômetros do local do massacre.
Mas a história dos cangaceiros não foi encerrada com as mortes. No município alagoano com cerca de 25 mil habitantes, o Cangaço sobrevive ainda hoje, só que de outra forma: como atração turística. O centro histórico de Piranhas, cuja origem remonta ao século XVIII, ainda mantém características coloniais. O conjunto arquitetônico é tombando pelo Patrimônio Histórico Nacional e a Prefeitura se responsabiliza pela preservação das fachadas. O Museu do Sertão, que funciona no prédio da antiga Estação Ferroviária construída por ingleses no final do Século XIX, reverencia tanto a herança sertaneja quanto o legado do Cangaço. O Conservatório de Música, único no Estado, funciona na mesma casa onde Dom Pedro II pernoitou em 1859, quando percorreu a região da foz do São Francisco até chegar as cachoeiras de Paulo Afonso. De lá, os músicos fazem ecoar pela cidade a poesia de Luiz Gonzaga e de outros mestres nordestinos.
O Velho Chico, então, é outra atração ímpar da região. Cânions se levantam majestojos das águas verdes e profundas do lago formado pela barragem da Usina Hidrelétrica de Xingó, que separa quatro estados: Alagoas, Sergipe, Bahia e Pernambuco. Nas margens, em Canindé do São Francisco (SE), há estrutura que leva o turista para passeios de três horas, com direito a banho no rio e uma apreciadela na canoa de tolda, embarcação típica que já esteve praticamente extinta. Essas riquezas, inclusive, servem de cenário para a novela Cordel Encantado, da Rede Globo.
Outros municípios da região com ligação histórica com o universo cangaceiro também têm roteiros para quem se interessa pelo passado profundamente rico do povo nordestino, que ajuda a explicar também muito da essência de todo o povo brasileiro. (L.A.)





