O "aventureiro" Niclevicz está na Regata do Descobrimento
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quinta-feira, 09 de março de 2000
Por Julio Cruz Neto 
Lisboa, 10 (AE) - Sabe quem está no Oceano Atlântico participando da Regata do Descobrimento? Ele foi o primeiro brasileiro a vencer o Monte Everest (8.848m) e a conquistar os Sete Cumes do Mundo, a escalada da maior montanha de cada continente. Com a cabeça no desafiador e perigoso K2, Waldemar Niclevicz está a bordo do barco Hozhoni. Mas apenas para a primeira perna, que deve acabar domingo em Funchal, Ilha da Madeira. "Gostaria de fazer a viagem inteira (que termina dia 22 de abril em Santa Cruz Cabrália, sul da Bahia)", afirma ele: "Mas se ficar até o fim, perco condicionamento físico. E preciso acertar alguns detalhes para o Projeto K2." Embora faça juras de amor ao mar - "navego há seis anos" - e à história do Brasil, o que realmente importa para Niclevicz agora é superar a montanha que já lhe deu tanto trabalho. É questão de honra.
Na primeira tentativa de chegar ao cume do K2 (8.611m), este paranaense que domingo completa 34 anos chegou a 8.040m. Na segunda, desistiu na base devido à morte de um romeno que integrava a equipe. Mas para a terceira expedição, que começa dia 1º de junho, está sobrando confiança: "Estamos aprendendo a lidar com ele, contamos com a vitória." Niclevicz admite que o tempo não é totalmente previsível: "Nunca sabemos como vai ser a direção do vento, a condição da neve, a formação de nuvens."
Mas frisa que a experiência vai ser fundamental para vencer essa montanha que só 164 conseguiram escalar e onde 54 já morreram: "Conhecemos palmo a palmo até os 8.000m." Ao seu lado, estarão Abele Blanc e Marco Camandona. Antes disso, muito treino. Na Madeira, Niclevicz pretende "dar umas escaladinhas". De lá, segue para a Itália. E depois volta para o Brasil, onde vai subir pela primeira vez no Pico da Neblina (3.014m), o maior do País: "Vai ser minha homenagem ao Descobrimento."
Também estão no Hozhoni, comandado por Ari e Marcelo Jaensch (pai e filho), os amigos aventureiros Betão Pandiani e Gui von Schmidt. Para eles, a Regata do Descobrimento serve de treino para a Expedição Rota Austral, no final do ano. Trata-se de uma arriscada viagem em que eles pretendem cruzar o temido Cabo Horn, no extremo sul da América do Sul, de Hobie Cat (um pequeno catamarã). A partir de Salvador, inclusive, eles abandonam o Hozhoni e seguem de Hobie Cat a Regata do Descobrimento.
Não satisfeitos por enfrentar as águas nervosas do Cabo Horn, Betão e Gui também pretendem escalar o Monte Darwin, que fica na Terra do Fogo, mais precisamente no Canal de Beagle - tudo na mesma região. E, segunda charada, adivinhe quem deverá abrir caminho para os dois? O próprio, Waldemar Niclevicz. Mas primeiro ele tem o K2 pela frente.


