O avanço dos "eurorealistas" Do correspondente Gilles Lapouge
Paris, 26 (AE) - Reunião dos chefes de Estado e do governo perto de Bonn - em Petersberg. Eles vão tentar tirar a União Européia da difícil situação em que ela se enviscou. Dois assuntos, aliás, relacionados: a reforma da política agrícola (a PAC) e a nova divisão das contribuições de cada Estado para o orçamento da Europa.
Para o orçamento, é a Alemanha que faz a demanda. A Alemanha é, de longe, a maior financiadora da União Européia. Ela pretende reduzir sua contribuição de aproximadamente 10 bilhões de euros. Mas, então, como equilibrar o orçamento de Bruxelas?
Seria necessário que a Inglaterra aumentasse sua "cota- parte". Ora, isto está fora de questão. Tony Blair não quer dar "um níquel a mais".
Ele é aluno disciplinado de Margareth Thatcher.
A Itália também se recusa a "pôr a mão no porta-moedas". A França aceitaria fazê-lo, mas com a condição de que seja contentada com a "política comum agrícola", coisa que os outros e, sobretudo, a Alemanha recusam-se a fazer.
Então, uma querela de "interesse financeiro"? Não exatamente, pois por trás, há um mal-estar político. Pela primeira vez em meio século, a França e a Alemanha entram em disputa fazendo muito barulho. E uma rixa durável entre Paris e Bonn paralisaria e, talvez, fizesse naufragar, a construção da Europa.
A verdade é que o conflito Paris/Bonn é o reflexo de uma outra coisa bem mais perigosa: um desencantamento geral em relação à Europa.
Em princípio, a nova equipe socialista alemã (Gerhard Schroder) é "européia". Mas, na realidade, Bonn trata a Europa com uma espécie de desinteresse, de resignação. Seria possível dizer que a Alemanha participa da Europa, ao mesmo tempo ausentando-se dela.
Na França, o panorama não é mais estimulante. O lirismo, a esperança de outrora abandonaram totalmente a classe política: se os socialistas, assim como os conservadores, permanecem ligados à construção européia, é tristemente sem alma.
Há dez anos, na época de Helmuth Kohl e de François Mitterrand, a Europa era uma paixão, uma obsessão. Hoje, a Europa não passa de uma obrigação. Vê-se fervilhar na França, assim como na Alemanha, os que se denominam "eurorealistas" pessoas que se aproximam da Europa mais por obrigação do que por convicção. Pouco a pouco, esse desencantamento ganha os outros países europeus.
O conflito franco-alemão atual comprova essa metamorfose da Europa: há poucos anos, as dificuldades financeiras que surgiram entre a Alemanha e seus parceiros teriam sido facilmente superadas. Hoje é completamente diferente: cada um se agarra a seu dinheiro, desconfia do vizinho, recusa ser sacrificado. Pela primeira vez, as discussões sobre a Europa parecem um regateio em uma "feira" oriental.
Acredita-se que, no que se refere ao orçamento, será encontrada uma saída e que a Europa poderá retomar seu caminho. Mas, que Europa: não mais aquela atrelagem explosiva, alegre e cheia de entusiasmo, como no tempo de Mitterrand e Kohl, mas sobretudo um velho cavalo puxando, de maneira precária, sua carroça por um caminho esburacado e perdendo o fôlego a cada curva.





