O analfabeto politizado
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de outubro de 2018
Paulo Briguet 
No ensaio "Coração de Gelo", o historiador inglês Paul Johnson traça um devastador perfil biográfico de Bertolt Brecht, narrando a coleção de traições, mentiras, hipocrisias e ressentimentos que caracterizam a vida pública e privada do escritor alemão. Ao final do ensaio, Johnson confessa com franqueza: "Durante este relato, eu me esforcei bastante para dizer algo a favor de Brecht. Mas ele é o único intelectual entre os que estudei, que não parece possuir uma única característica que o redima."

Pessoalmente, acho que Johnson exagera; em termos de altruísmo e amor ao próximo, é realmente difícil encontrar uma qualidade em Brecht. Mas, pelo que li dele até hoje, posso dizer que ele foi também um talentosíssimo escritor. Gosto especialmente de seus poemas e letras de canções (em parceria com Kurt Weil). Reconheço também que "Mãe Coragem" é uma grande peça teatral.
Há 25 anos, quando eu trabalhava em um sindicato, havia na parede da sala principal um pôster com um famoso poema de Brecht: "O Analfabeto Político". Basicamente, o texto procura difamar a pessoa comum que não gosta de se envolver com política. Sempre detestei aquele poema; mesmo na minha época de esquerdista, achava-o arrogante, primário, demagógico.
Mas eis que o tempo passou e agora temos, graças aos bons préstimos da nossa esquerda, o surgimento de uma personagem não prevista por Brecht: o analfabeto politizado.
Nem o coração de gelo de Brecht poderia esperar tamanha aberração cultural. Mas hoje ela é uma realidade na educação brasileira, especialmente no meio universitário.
*******
Toda ditadura é ruim. Mas há algumas ditaduras que são, digamos assim, incomparavelmente cruéis. Em geral, os regimes socialistas enquadram-se nessa categoria de paroxismo do mal.
Façamos o exercício de comparar o número de vítimas fatais da ditadura militar brasileira (434 mortos pelo regime, mais 150 mortos pelos esquerdistas) e da ditadura cubana (115.127 - sendo 77.824 mortos ou desaparecidos em tentativas de fugas do país; 5.621 fuzilados, 1.123 assassinados extrajudicialmente, 14 mil soldados mortos em missões no exterior, e assim por diante).
A população de Cuba é 18 vezes menor que a do Brasil. Em escala, os 115.127 mortos cubanos se tornariam algo em torno de 2 milhões de pessoas se a mesma mortandade acontecesse no Brasil. Portanto, guardadas as devidas proporções populacionais, a ditadura brasileira matou cerca de 4.774 vezes menos seres humanos do que a ditadura de Cuba.
Precisamos mostrar essas verdades aos nossos filhos - ou correremos de que eles se tornem, também, analfabetos politizados nas mãos de ideólogos sem escrúpulos.
Socialismo nunca mais!
Fale com o colunista: [email protected]


