Agência Estado
De Rio Branco
Uma grande massa de fumaça, que já dura 15 dias, está causando sérios transtornos ao tráfego aéreo em vários Estados da Amazônia. A fumaça é causada pelas queimadas no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia, mas está concentrada no Acre e Amazonas.
Durante a semana, diversos vôos comerciais na região foram cancelados ou sofreram atrasos por causa do problema. A viagem do presidente Fernando Henrique Cardoso ao Acre chegou a ficar ameaçada por causa da fumaça que fecha constantemente o aeroporto de Rio Branco. Segundo pilotos da região, a visibilidade normal para pousos é de 1.600 metros horizontais, mas, principalmente pela manhã, a visão da pista é de metade do permitido para aterrissagem.
O Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) atribui a fumaça às queimadas que estão sendo realizadas principalmente no Mato Grosso. Além disso, agricultores bolivianos de uma localidade próxima à fronteira iniciaram uma grande queimada, provocando a massa de fumaça na região.
Segundo dados do mês passado, anunciado pelo Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), as queimadas na Amazônia diminuíram este ano, em relação a 1998. Entretanto, o próprio ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, chegou a admitir que a situação pode piorar nos próximos meses, quando os desmatamentos e queimadas se acentuam na região.
O Ibama do Acre, estado mais afetado pela fumaça, está em estado de alerta para realizar uma intensa fiscalização no dia 7 de setembro, quando os agricultores fazem queimadas em massa. Segundo a tradição, este será o último dia ideal para que a safra do ano seguinte seja boa.
Mata Atlântica A serra da Bodoquena, última mancha de mata atlântica contínua do Mato Grosso do Sul, está desde anteontem sofrendo um incêndio de grandes proporções. Unidades do Corpo de Bombeiros de Jardim e Campo Grande foram deslocadas para a área.
Técnicos do Ibama, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e da Polícia Florestal também se deslocaram para a mata. Em algumas áreas da serra, que tem cerca de 90 mil hectares de área, não chove há cerca de dois meses e a vegetação se encontra muito seca.
O Ibama do Mato Grosso do Sul suspendeu todas as autorizações de queimadas no Estado e ainda não tem informações oficiais sobre a proporção da área atingida pelo incêndio. Segundo a coordenação do Sistema Nacional de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais no Estado, há risco do incêndio ganhar proporções incontroláveis.
A serra da Bodoquena está em processo de se transformar em parque nacional, o que auxiliaria a prevenir incêndios. O professor Clayton Lino, da Fundação SOS Mata Atlântica, informou que entre os animais presentes na serra estão diversos tipos de macacos, onças, tamanduás, tatus e veados.
Até ontem, o Estado detectava 1.295 focos de calor – áreas que podem representar fogo. No ano passado, foram detectados 1.913 focos. O geólogo Paulo Boggiani, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, disse que a serra é considerada o ‘‘eldorado da arqueologia’’.

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