Curitiba - O delegado Sérgio Inácio Sirino, do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), pediu na sexta-feira a prorrogação da prisão temporária de cinco supostos integrantes de uma quadrilha liderada por advogados para receber indevidamente precatórios trabalhistas devido pelo governo do Estado a funcionários públicos. Destes, apenas Dirce Ferreira (funcionária do escritório advocatício responsável pela fraude) está foragida. Todos deveriam ter sido soltos no fim de semana, mas permanecerão na cadeia até quarta-feira. Neste prazo, o Nurce pretende concluir as investigações para embasar um pedido de prisão preventiva ou indiciar os suspeitos.
O líder da quadrilha seria o advogado Carlos Alberto Pereira, com a prisão preventiva decretada desde a semana passada e que está foragido. Considerado o maior advogado da área previdenciária, teria ajuizado 1,8 mil ações e contaria com mais de 5 mil clientes.
Segundo as investigações, o advogado ajuizava as ações pedindo o pagamento dos precatórios aos seus clientes e não repassava o valor recebido. Ele tinha procuração dos clientes repassando o direito de receber os valores nas Varas da Fazenda. Ou conseguia termo de doação dos valores a serem recebidos. A maioria dos golpes era aplicada em pessoas com baixo nível cultural e analfabetas.
Permanecem presos o advogado Messias Alves de Assis (que atuava na defesa de Pereira), os empresários Olorbi dos Santos Pinheiro e José da Silva (que seriam donos de uma empresa laranja que serviria para lavagem de dinheiro), e a secretária Joana Anelise Ludwig.
O caso desvendado em dez dias pelo Nurce foi enviado à Promotoria de Investigações Criminais (PIC) no dia 3 de outubro de 2005. O ofício da promotora da Fazenda Pública, Danusa Nadal, pedia investigação da ''máfia dos precatórios''. Como prova da denúncia informal estava anexado um cd com gravações de diálogos entre clientes e o advogado.
O coordenador da PIC, Paulo Kessler, informou que foi instaurado procedimento interno para que o Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gerco) fizesse diligências para apurar as denúncias. No dia 17 de fevereiro de 2006, a PIC encaminhou um ofício à Corregedoria Geral da Polícia Civil requisitando a abertura de inquérito policial para investigação do caso.
''Há duas atribuições da PIC: apuramos infrações praticadas por policiais civis e militares e no combate ao crime organizado. Como o caso não se encaixava no perfil e sabendo da importância dele, reencaminhamos para investigação da Polícia Civil, competente para tanto. E pedimos ainda que nos mantivessem cientes do andamento do inquérito policial. Ou seja, cumprimos nossa atribuição'', considerou Kessler.

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