Londrina - Aos 49 anos, o londrinense Edson Cardoso Neves teve que aprender outras habilidades por não ter mais os movimentos do quadril e pernas. Com a mudança, trocou o passatempo preferido, que era pescar, por programas de televisão e a internet e, além disso, terá que conviver com as sessões de fisioterapia pelo resto da vida, assim como a dor que sente diariamente.
Neves lembra com emoção do dia em que se acidentou de moto. Ele voltava de Alvorada do Sul (Região Metropolitana de Londrina), onde tinha passado o dia pescando. "Foi em maio de 2010. Eu já andava de moto havia uns 10, 15 anos e, por isso, estava acostumado. Havia um trecho da rodovia que estava em obras e eu estava em alta velocidade. Só lembro de ter visto um reflexo, pois era noite. Quando abri os olhos, estava no meio do mato, com o capacete no braço e o celular na mão", comenta.
Naquela noite, Neves passou direto por uma curva e a moto voou longe. Ele teve um esmagamento das vértebras T7 e T8 e perfuração da medula. "Como estava no meio do mato, achei que ninguém me encontraria. Lembrei que o celular tinha lanterna e comecei a dar luz para a pista. Não conseguia me mexer de dor. Foi então que um casal de moto parou para me ajudar", recorda.
Neves passou por duas cirurgias e 37 dias de internação. A casa onde mora com a esposa e a neta teve que ser adaptada para a cadeira de rodas. "Muda tudo. Perdi amizades, não gosto mais de sair como antes e nunca mais fui pescar. Passo o dia mais deitado do que na cadeira de rodas. Mesmo se eu tivesse condições, nunca mais compraria uma moto e aconselho as outras pessoas a pensarem bem antes de sair por aí, correndo de moto. O trauma é grande e a perda é imensa", desabafa.
A esposa Ângela precisou deixar o emprego para se dedicar ao marido nos primeiros meses após o acidente. Hoje, ela voltou a trabalhar, mas em meio período e em uma escola perto de casa. Já Edson segue em tratamento para que a musculatura não atrofie e para que possa, cada vez mais, ter independência. "Enquanto isso, sigo com a esperança que a ciência possa um dia encontrar uma cura", diz.(M.O.)

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