O julgamento começou pontualmente às 8h30 e durou cerca de dez horas. O pai do réu, o empresário Lauro Panissa, e a filha do casal, Joana Panissa, assistiram ao debate. Pouco antes de a juíza proferir a sentença, eles se retiraram do local, sem conversar com a imprensa.
Após dispensar a única testemunha que iria depor diante dos jurados, foi apresentado um vídeo de parte da exumação do corpo de Fernanda, por peritos do Instituto Médico Legal de Curitiba. Em seguida, outro vídeo, com o depoimento de Joana, no qual ela afirmava ter perdido não só a mãe, mas também o pai. ''Nunca julguei meu pai, sempre senti muita falta dele'', disse a filha do casal, hoje com 23 anos, que foi criada pelos avós paternos.
Após apresentação da promotoria de uma hora e meia, houve intervalo de uma hora para almoço, e os jurados voltaram ao Tribunal por volta das 14 horas. Por mais uma hora e meia, eles ouviram as alegações da defesa, que admitia a condenação, mas por homicídio privilegiado, motivado por violenta emoção, e cuja pena seria inferior a 20 anos. Em seguida foi a vez de o assistente da acusação, João Maria Brandão, fazer as considerações. Às 3h30 a promotoria começou sua tréplica de uma hora. A defesa precisou de dez minutos para a tréplica e houve nova apresentação do depoimento de Joana Panissa.
Com dúvidas, os jurados pediram que fossem lidos os depoimentos do réu, de dois vizinhos e do porteiro que trabalhava no prédio no dia do crime. Às 17h45 a juíza iniciou a leitura dos quesitos a serem votados pelo conselho de sentença e às 18h20 foi proferida a sentença.
Conforme Elisabeth Khater, os jurados reconheceram a materialidade do delito, considerado torpe e cruel, impossibilitando a defesa da vítima, além da autoria do crime pelo acusado. ''Ele agiu voluntária e conscientemente, atingindo a ex-esposa com 72 facadas.'' (M.G.)

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