Números são argumentos para os dois lados
Curitiba- Estatísticos são os argumentos mais fortes apresentados pelas duas frentes para justificar suas posições. Números e dados são alarmantes. As armas de fogo representam a terceira causa de mortalidade no Brasil. Matam 108 pessoas a cada dia, mais do que no Conflito do Golfo ou na disputa entre Israel e Palestina. E, segundo relatório da Universidade São Paulo (USP), com dados colhidos entre 1991 e 2000, as mortes por armas de fogo ultrapassam os óbitos no trânsito. Naquela década, 265.975 pessoas morreram vítimas de armas de fogo.
Para o senador Renan Calheiros (PMDB/AL), um dos líderes da Frente por um Brasil sem Armas, dados como esses são suficientes para derrubar os argumentos usados pela ''Turma da Bala'' como está sendo chamada a Frente Pró-Armas. ''E não é só arma de bandido que mata. É a facilidade de comprar arma e a ilusão de que ela serve para proteger que respondem por boa parte dos crimes no Brasil'', diz, referindo-se a crimes ''banais'', como mortes em brigas domésticas, em bares, no trânsito, entre outros.
Luiz Carlos Galhardi, coordenador da ONG Londrina Pazeando, que apóia a Frente Sem Armas, acredita que a redução das armas poderia evitar grande parte das mortes. Como prova, são citados os resultados da Campanha de Desarmamento. Entre janeiro a julho de 2004, a campanha estadual recolheu 20 mil armas no Paraná.
Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública, nos quatro primeiros meses daquele ano houve redução de 27% (de 81 para 59 casos) nos homicídios da Região Metropolitana de Curitiba, com relação ao mesmo período de 2003. O número de disparos de armas de fogo também reduziu 31% em Curitiba e Região e 27% em Londrina no mesmo período.
O deputado federal Abelardo Lupion (PFL/PR), vice-presidente da Frente Pró-Armas, rebate os argumentos. ''Não é a quantidade de armas que vai determinar as mortes'', diz. De acordo com ele, enquanto o Brasil, com 3,5% de residências armadas, registra 27 mortes por armas para cada 100 mil habitantes, os Estados Unidos, com 52% de residências armadas, têm apenas seis homicídios/100 mil habitantes.
Em defesa do comércio de armas, ele argumenta, ainda, sobre o direito de defesa do cidadão, previstos pela Constituição Federal e pelo Código Penal; e sobre um consequente aumento no contrabando de armas e munições, inclusive por ''pessoas de bem'', que não terão mais onde adquirir esse material legalmente no País. ''A lei do desarmamento pode servir para os grandes centros. Se você mora em uma chácara, no meio do mato, sem policiamento, como é que você vai se defender de ladrões'', questiona.
A ONG Viva Rio responde. Para ela, é uma ''ilusão achar que o desarmamento tira a arma só do cidadão e não do bandido''. Dados oficiais mostram que 25% das armas apreendidas nas mãos de criminosos têm registros legais anteriores, ou seja, foram roubadas de pessoas comuns, que compraram as armas na ilusão de se proteger. Só em São Paulo, mais de 70 mil armas registradas foram roubadas em cinco anos.(M.G.)





