Diversificar a produção agropecuária e, assim, tentar segurar a população no município. Essa é uma das principais metas do novo prefeito de Nova Tebas (90 km ao sul de Campo Mourão), Nilo Klhen (PMDB). Ele assumiu a prefeitura menos de 10 dias depois do IBGE divulgar, através do Censo 2000, que Nova Tebas é o município do Paraná com o pior índice de crescimento populacional nos últimos quatro anos.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população de Nova Tebas caiu de 14.310 habitantes, no Censo de 1996, para 9.474 no levantamento realizado no ano passado. Isso significa que em quatro anos o número de moradores do município diminuiu em cerca de 34%. A taxa de crescimento populacional ficou negativa em 9,78% ao ano, a maior do Estado. Nova Tebas tem apenas 12 anos de vida. Foi emancipada de Pitanga em 1988.
Klhen, que mora em Nova Tebas há 30 anos, atribui a ‘‘fuga’’ da população ao desestímulo provocado pelos baixos preços agrícolas. ‘‘Nosso município tem muitas pequenas propriedades e 76% da população ainda está na zona rural’’, informa o prefeito. O próprio Klhen, dono de um sítio de 27 alqueires, é um pequeno agricultor e diz que vem sentindo na pele as dificuldades do setor. ‘‘Estou tendo que vender alguns bens para pagar os prejuízos’’, conta.
O novo prefeito também acredita que a má administração da prefeitura tenha ajudado a espantar os moradores de Nova Tebas. Klhen, porém, não perde a esperança. Ele aposta que a diversificação da agrocupecuária local possa garantir a sobrevivência dos pequenos produtores e ainda atrair novos moradores para o município. Mas, antes disso, o prefeito aguarda um posicionamento oficial sobre a situação dos repases à prefeitura diante da queda populacional.
‘‘Precisamos saber certinho quanto vamos receber a partir de agora do FPM (Fundo de Participação dos Municípios)’’, explicou. O prefeito anterior, Severo Leônidas Chociai (PPS), que havia assumido a prefeitura em outubro, após a cassação de Luiz Carlos Petrechen, afirmou poucos dias antes de deixar a prefeitura que seria necessário demitir pelo menos 140 dos 370 servidores municipais para a administração continuar viável a partir deste ano.
Segundo Chociai, Nova Tebas vai peder cerca de R$ 65 mil por mês de repasses do FPM devido à diminuição da população. Klhen prefere esperar dados oficiais para anunciar o que vai fazer, mas já adianta que será preciso reduzir a folha de pagamento ‘‘de alguma maneira’’. Hoje a folha consome 67% da arrecadação do município. ‘‘Não tem como tocar desse jeito’’, explica. Ele teme que demissões gerem ações na Justiça e uma redução ainda maior da população.

mockup