São Paulo, 14 (AE) - Para aqueles raros exemplares que ainda pensam que arroba é só uma unidade de peso muito usada para bois, pode parecer exagero. Mas o fato é que, mesmo neste País de contrastes, a Internet é um fenômeno irrefutável, e irreversível.
Pesquisa elaborada pelo Instituto Ibope nas nove maiores capitais brasileiras revela que, entre a população de mais de 10 anos de idade, 30% têm acesso a computador em casa ou no local de trabalho e/ou estudo. E 12% já navegam pela Internet. Esses 12%, ressalte-se, representam cerca de 4,5 milhões de cidadãos, projetando um universo global estimado entre 8 milhões e 9 milhões de internautas. Um público e tanto que anunciante algum, hoje, quer desconsiderar na hora de repensar o seu marketing.
A partir disso, não é de estranhar que os investimentos totais de anunciantes em campanhas off-line (veiculadas fora da Internet) sobre produtos da Internet (sites, provedores e e-business, principalmente), tenham sido, de janeiro a fevereiro deste ano, de R$ 117 milhões. Mais da metade dos R$ 220 milhões investidos ao longo de 1999.
A disputa entre os provedores de acesso pagos e os gratuitos, que se acirrou desde janeiro, é uma das principais causas desse frenesi promocional, que já resultou em um aumento de 33% no número de novos internautas. Como resultado, segundo o Ibope, no final de março, apenas 30 dias após seu lançamento, os provedores gratuitos já detinham 26% dos acessos.
E a guerra promete esquentar com a recente entrada do site Globo.com, que atrai um público novo para a Web. "A Globo está permitindo uma terraplenagem da informação sobre a Internet entre as classes sociais", avalia Paulo César Queiroz, diretor de Mídia da agência de propaganda DM9DDB, que hoje analisou os resultados da pesquisa.
Embora a Globo.com não atue, ainda, como provedor, um site repleto de estrelas das novelas da emissora já garante o sucesso junto aos anunciantes. Um sucesso tão subavaliado no lançamento, que entupiu os canais de acesso à página na estréia.
Desafios - Na verdade, o grande desafio da propaganda, agora, é saber como chegar a esse universo de consumidores potenciais, dos quais apenas uma pequena parcela, de 0,5% do total pesquisado, afirmou já ter feito alguma compra via Internet. Mesmo entre internautas experientes, o porcentual ficou aquém do esperado, com 4% dos navegantes. "Temos que trabalhar nossas mensagens de forma a contornar o medo que as pessoas têm de fornecer o cartão de crédito para débito na Rede", diz Queiróz.
Ele defende a Web com um argumento difícil de contestar: "Quando você vai a um boteco no fim do mundo, não se preocupa em dar seu cartão para pagar a conta, o que é estatisticamente muito mais arriscado do que enviar um débito pela Internet." Queiróz prevê que esse tipo de argumento seja cada vez mais usado junto ao consumidor, até ele perder o medo.
Uma vez debelada a insegurança quanto à compra, o mais importante é saber a quem se está tentando vender o quê. A pesquisa do Ibope mostra que o internauta é jovem (46% têm de 10 a 24 anos), com predomínio de homens (55% dos homens pesquisados e 45% das mulheres) e das classes A (35%) e B (45%). Só que, observando-se de perto os parâmetros de renda adotados, percebe-se que nem só de produtos caros será realizado o lucro das empresas "ponto com": 36% dos navegantes têm renda familiar entre R$ 720 e R$ 2.159. Apenas 6% dos internautas se incluíram na faixa que vai dos R$ 7.200 para cima - que, de resto, representa apenas 1% da população nas capitais.
Mas a pesquisa comete um pequeno deslize, ao perguntar qual a área mais acessada pelos internautas. Apesar de haver estudos mostrando que a palavra mais digitada na rede é "sexo"
o tema apareceu apenas em 8% das indicações. Segundo os navegantes, eles entram mais para trocar e-mails (52%), para realizar pesquisas profissionais (36%) e outras pesquisas (38%). Eles juram que até a previsão do tempo interessa a mais gente (9%) que os sites de sexo. Atribua-se o lapso ao pudor natural dos entrevistados frente a perguntas abertas. Ou alguém acredita?

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