O número de transplantes de órgãos realizados no Brasil cresceu em média 12,5% em 1998 em relação ao ano anterior. Os órgãos que participaram da avaliação foram os rins, o fígado, o coração, o pulmão e o pâncreas. O aumento teve variação de acordo com o órgão.
Segundo Valter Duro Garcia, presidente da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), o aumento se deveu à melhora na captação e implante dos órgãos. Esse foi o primeiro aumento registrado desde 93. Com a criação das centrais estaduais de transplante, o procedimento se tornou mais ágil. Além disso, mais hospitais se aparelharam e capacitaram profissionais para realizar os transplantes.
‘‘Mas o número de transplantes realizados no país ainda fica muito longe do ideal. O problema só terá solução a médio prazo. A providência mais urgente é que cada hospital tenha um profissional trabalhando junto às unidades de terapia intensiva e coordene todo o processo de transplante’’, diz.
O aumento no número de transplantes contrasta com a grande quantidade de pessoas que se definiram como não doadoras. Até outubro de 98 vigia a lei do doador presumido - quem não quisesse ser doador precisaria deixar sua opção na identidade.
Só em São Paulo, 1.118.620 pessoas tiraram identidade. Dessas, 62% declararam-se não doadoras. ‘‘O registro em carteira é a pior opção. As pessoas se sentem acuadas. O importante não é a documentação, é a conversa entre os familiares e entre o médico e a família de um eventual doador’’, diz Garcia.

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