Londrina - O Brasil tem hoje 500 mil detentos a mais do que há 20 anos. A quantidade de presos saltou de 114.377 em 1992 para 514.582 no ano passado - uma alta de 350% - segundo dados da ONG Centro Internacional para Estudos Prisionais (ICPS, na sigla em inglês). Com isso, em 2011, o Brasil ocupou a quarta posição do ranking de países com as maiores populações carcerárias do mundo, ficando atrás apenas de Estados Unidos (2,2 milhões), China (1,6 milhão) e Rússia (740 mil).
Já o número total de habitantes no País registrou aumento de 30%: passou de 146,8 milhões em 1991 para 190,7 milhões em 2010, de acordo com o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Do total de presos no Brasil, 464.440 estão em presídios e 49.362 em delegacias. A taxa de preso por 100 mil habitantes triplicou no País nos últimos 16 anos. Em 1995, eram 95 detentos e em 2011 chegou a 269,38.
No Paraná, o número de presos alcança 27.676, de acordo com as secretarias de Justiça (Seju) e de Segurança Pública (Sesp). São 17.364 detentos nas penitenciárias e mais 10.312 nas delegacias do Estado.
Nos últimos cinco anos, a população carcerária paranaense atingiu o ápice em junho de 2011, quando 31.093 pessoas estavam presas no Estado. Segundo ainda a Seju e a Sesp, o sistema prisional estadual atua dentro da capacidade máxima, que é de 17.267 vagas. Já nas delegacias a situação é caótica. O deficit de vagas nos distritos policiais do Paraná chega a 5,5 mil presos.
Em Londrina hoje são 2.263 presos. Destes, 1.865 estão nas penitenciárias (PEL 1, PEL 2 e Casa de Custódia). Os outros 398 estão alojados nos Distritos Policiais (DPs). Neste mês, a Penitenciária Estadual de Londrina contava com 617 presos, 113 a mais que a capacidade. A PEL 2 tem capacidade para 928 presos e tinha 906 e a Casa de Custódia com 342. A capacidade máxima da CCL é 288 detentos.
A situação é pior nos distritos. São 153 no 2º DP (regime semi-aberto), cuja capacidade é de 150. O 3º DP estava com 74 presas, 38 a mais que a capacidade. No 4º DP são 76 presos para uma capacidade de 24 e 95 no 5º DP, onde a capacidade máxima é de 24.
Entre as nove regiões do Estado divulgadas pela Secretaria de Segurança com delegacias com presos, a região de Londrina, que engloba outras cidades do Norte, é a que tem o maior deficit de vagas: 1.616.
O crescimento exponencial da população e dos problemas no sistema carcerário levaram o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a dizer no mês passado que preferia morrer a cumprir pena em algum presídio no País.
Para o especialista em sistema carcerário e pesquisador do Centro de Pesquisa de Pós-Graduação sobre as Américas (Cepac) da Universidade de Brasília (UnB), Alexandre Rocha, o medo demonstrado pelo ministro reflete as péssimas condições das prisões brasileiras: superlotadas e sem capacidade de recuperação dos internos.
''Na prática não temos uma política penitenciária. Nosso sistema está falido. O assunto só é discutido em momentos de crise. A prova disso é a pífia execução da verba do Funpen (Fundo Penitenciário Nacional)'', disse Rocha.
''Por outro lado, somente construir novos presídios não vai resolver a superlotação. A taxa de encarceramento do País é das mais altas do mundo. Com isso, a ressocialização dos presos fica só no discurso. Além de mais investimento em infraestrutura e pessoal, precisamos incentivar a adoção de penas alternativas para crimes de menor gravidade'', acrescentou o especialista. (Com Agência Estado)

Imagem ilustrativa da imagem Número de presos aumenta 350% em 20 anos
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