Dados inéditos da Secretaria da Segurança Pública do Rio de Janeiro revelam que o total de policiais mortos este ano chega a 129 (114 militares e 15 civis). Até a semana passada, a secretaria contabilizava 80 policiais assassinados e, no domingo, foi divulgado levantamento do Instituto de Estudos da Religião (Iser) que totalizava 102 mortes, incluindo 22 casos de encontros de cadáveres.
O número de 129 mortes, ao qual a reportagem teve acesso, inclui os homicídios e todos os casos que ainda estão sob investigação policial (não apenas aqueles obtidos pelo Iser). São supostos suicídios, eletrocuções, afogamentos, acidentes de barco, atropelamentos, explosões e um provável ataque de abelhas.
Os dados abrangem o período de janeiro a outubro. Em todo o ano passado, foram mortos 143 policias (131 militares e 12 civis) - também incluindo todos os casos registrados, e não apenas aqueles em que há evidência de que houve assassinato por criminosos. O número de feridos este ano foi de 366, e, no ano passado, de 482. Em relação aos anos anteriores, só há dados disponíveis da Polícia Militar, em razão de ‘‘problemas internos’’: 122 mortos e 395 feridos em 1998; 116 mortos e 461 feridos em 1997; 175 mortos e 503 feridos em 1996; e 189 mortos e 420 feridos em 1995. Atualmente, a PM tem 32 mil homens.
O secretário da Segurança, Josias Quintal, afirma, porém, que não é a favor da política de confronto. ‘‘Não vamos estimular o confronto, vamos continuar trabalhando para que não haja excesso’’, afirmou. Ontem, no entanto, ele apresentou a aquisição de 1.410 fuzis M-16, calibre 5,56, fabricados pela Colt (Eua). Utilizado na Guerra do Golfo, o armamento é semelhante ao AR-15, que já é usado há cerca de 15 anos por traficantes do Rio.
Cada arma pesa cerca de três quilos, custou US$ 700 e dispara projéteis a 800 metros por segundo. O M-16 substitui o fuzil FAL, bem mais pesado e comprido. Também foram compradas 3.500 pistolas ponto 40, afirmou Quintal.

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