São Paulo, 08 (AE) - O coronel Paulo Roberto de Souza está à frente da Assessoria de Segurança do Sindicato das Empresas de Transporte de São Paulo e Região (Setcesp), que desde 1993 realiza o trabalho de coleta e análise de dados sobre o roubo de cargas com informações obtidas com seus associados de São Paulo, Osasco e Guarulhos - atualmente 1.100 empresas. Souza afirma que a questão começou a preocupar os transportadores em 1993, quando ocorreram 309 ocorrências, com prejuízo de US$ 43,54 milhões. De lá para cá, o problema apenas se agravou.
Em 1997, houve 1.069 ocorrências, com prejuízo de US$ 118.749 milhões. No ano passado, as ocorrências aumentaram 24,79%, chegando a 1.334. O prejuízo não aumentou na mesma proporção: foi de US$ 122,459 milhões. Segundo o coronel, a perda só não foi maior porque as transportadoras há anos estão investindo no que chamam de "medidas de gerenciamento de risco", que inclui a compra de serviços de rastreamento de veículos por satélite; a contratação de seguranças para seguir o caminhão ou para acompanhar o descarregamento do veículo; e a análise da vida pregressa de todos os motoristas e ajudantes que se candidatam ao emprego na transportadora (medida atualmente exigida até pelas seguradoras), já que muitos funcionários estavam envolvidos no roubo das mercadorias.
"O criminoso ligado ao roubo de carga sabe muito bem como as transportadoras trabalham", diz o coronel. Os números refletem esse conhecimento. Números - Em 1998, 550 casos, ou 41,23% das ocorrências, ocorreram na capital paulista. Dentro da cidade, os ladrões preferem atacar nas zonas norte (22,36%) e leste (24,91%), onde se localizam os depósitos das transportadoras, e na zona sul (18,54%), onde os caminhões realizam boa parte das entregas. As marginais do Tietê e Pinheiros, sempre lotadas de caminhões, são pontos críticos.
Nas rodovias, houve 27,66% dos casos computados pelo Setcesp (369). A rodovia mais perigosa, segundo o levantamento, é a Anhanguera, com 15% das ocorrências, (58 casos). A Dutra, com 13%, vem em seguida (51 casos). Os ladrões sabem que o transporte de cargas ocorre principalmente no meio da semana, por isso os dias críticos de roubo são entre terça e quinta-feira. Quase não há ocorrências no fim de semana, pois as transportadoras raramente fazem entrega nesses dias.
O horário do dia preferido é na parte da manhã, entre 8 horas e 10 horas, quando os caminhões estacionam para fazer entrega nos estabelecimentos. Cargas - As cargas preferidas dos criminosos são medicamentos: 11,94% dos roubos envolviam esse tipo de produto. Em seguida vêm produtos alimentícios, com 10,86% dos casos; além de cigarros (9,08%) e eletroeletrônicos (9,05%).
De acordo com o coronel Souza, o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) conseguiu, ano passado, alguns avanços no combate ao roubo, como a aprovação do Programa de Prevenção e Redução de Furtos, Roubos e Desvios de Cargas (Procarga) pela Assembléia Legislativa e a criação de um Disque-Denúncia somente para esse tipo de crime em São Paulo. O presidente do Setcesp, Romeu Panzan, afirma que essas medidas ainda são insuficientes. Segundo ele, para combater este tipo de crime é necessário o envolvimento de outros setores, como os embarcadores das cargas e os grandes varejistas.
Aos embarcadores caberia a tarefa de identificar a numeração de lotes dos produtos para, em caso de roubo, verificar o seu destino com maior facilidade. Assim, a polícia poderia rastrear a carga até a sua revenda paralela. "Os varejistas deveriam verificar a procedência dos produtos, e não comprá-los pelo menor preço", diz Panzan. "Já houve transportador que encontrou sua mercadoria roubada num grande supermercado de São Paulo".
Outra sugestão é que os supermercados entrem em acordo com indústrias e transportadores para distribuir as encomendas durante todo o mês, evitando picos de movimento ao final de cada período, quando aumenta o número de assaltos.

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