Número de nascimentos volta a subir no País
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2019
Fabiana Cambricoli, Paula Felix e Monica Bernardes <br> Especial para a Agência 
São Paulo e Recife - Após contabilizar em 2016 o menor número de nascimentos em 21 anos, o Brasil voltou a registrar aumento na quantidade de bebês nascidos no País. Dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos referentes a 2017, publicados recentemente na plataforma Datasus e tabulados pelo jornal "O Estado de S. Paulo", mostram que o número de crianças nascidas em 2017 foi de 2,920 milhões, ante 2,858 milhões no ano anterior - uma alta de 2,1%.
O número, no entanto, não chega ao patamar de 2015, quando o País teve 3,018 milhões de nascimentos. A queda de 5,2% registrada entre 2015 e 2016 foi motivada, segundo especialistas, pela crise econômica e pelo receio da microcefalia causada pelo vírus zika, fatores que fizeram parte das mulheres adiar a gravidez.
Foi no final de 2015 que o Ministério da Saúde descobriu que mulheres infectadas pelo zika durante a gestação poderiam dar à luz bebês com malformações congênitas graves, a principal delas a microcefalia.
A pasta diz que os números de nascimentos de 2015, 2016 e 2017 seguem uma "tendência de estabilidade". Especialistas em obstetrícia, porém, afirmam que mulheres que pensavam em ter filhos entre 2015 e 2016 adiaram os planos e retomaram o desejo um ano mais tarde, embora ainda com receio.
A professora Claudia Sampaio Nunes Ribeiro, 30, começou a pensar em engravidar em 2015. Procurou a ginecologista e recebeu a recomendação de adiar a gestação por causa das complicações associadas ao vírus. "Ela falou para a gente tentar segurar um pouco, e comecei a me adaptar para ter os cuidados que seriam necessárias na gravidez, como usar repelente", conta.
Com a crise, o período de espera também serviu para Ribeiro organizar as finanças. "A crise econômica sempre interfere, porque nunca estamos 100%. Fomos planejando tudo devagar e separando dinheiro", relata a professora. No final de 2016, após decidir retomar o plano de ter um filho, descobriu a gravidez. Redobrou os cuidados e passou a ser acompanhada de perto pela ginecologista. "Minha médica falou para eu não ir para lugar nenhum sem falar com ela." Ribeiro deixou de ir à praia durante a gestação. Nem os parentes, que moravam no interior, receberam a visita dela durante a gestação. Em julho de 2017, nasceu Maria Eduarda.
CONGELAMENTO
Mesmo entre mulheres que buscavam tratamento para engravidar e que, por causa da idade, tinham pressa, o medo do zika fez com que o plano fosse, se não adiado, pelo menos adaptado. "Para as mulheres que tinham alguma dificuldade para engravidar, adiar era muito complicado. O que algumas fizeram, então, foi congelar os óvulos ou embriões naquela época e fazer a transferência para o útero só depois que o pânico por causa do zika passou", diz o ginecologista e obstetra Mauricio Chehin, especialista em reprodução humana.
Ele explica que, embora o vírus zika ainda esteja em circulação no País, o maior conhecimento sobre as consequências da infecção e sobre as formas de proteção contra a doença diminuíram o temor dos casais que queriam ter um filho. "O conhecimento sobre a doença tranquiliza. Você saber que pode evitá-la tomando medidas como usar repelente e vestuário adequado ou optando por engravidar numa época de clima mais frio e longe de regiões endêmicas fazem com que a mulher se planeje melhor e perca um pouco do medo", afirma o médico.


