Brasília, 10 (AE) - As mulheres brasileiras poderão se igualar aos homens em números casos de aids, caso perdure a atual tendência de crescimento da doença no sexo feminino.
Em dois períodos analisados pelo Ministério da Saúde (de 1987 a 1991 e de 1993 a 1997), a velocidade média de casos novos de aids apresentou queda de 57%. Entretanto, considerando somente as mulheres, aconteceu o inverso: o ritmo de crescimento no mesmo período aumentou 54%. No boletim divulgado hoje, o ministério informou também a queda de 37,9% entre 1995 e 1997.
"É como um carro estivesse andando a 10 quilômetros por hora e passasse a andar a 15 quilômetros por hora", explicou o coordenador do Programa de Aids, Pedro Chequer, referindo-se ao ritmo de crescimento de casos de aids entre mulheres.
Entre 1998 e fevereiro deste ano, foram registrados 2.499 de aids entre homens heteressexuais contra 2.716 em mulheres. Os números de casos de aids por contaminação heterossexual já é maior entre as mulheres desde 1996.
"A redução geral da velocidade de crescimento da doença deve-se basicamente à importante queda de velocidade da ocorrência de novos casos entre a população masculina", explicou Chequer.
"Por outro lado, o crescimento entre mulheres é preocupante"
disse ele, explicando que a população feminina tem sido contaminada principalmente por drogas e em relações heterossexuais.
Conforme já havia adiantado a Agência Estado, o governo está comprando e começa a distribuir em outubro dois milhões de preservativos femininos, inicialmente destinados à mulheres de baixa renda e profissionais do sexo, na tentativa de barrar a velocidade de crescimento de casos femininos.
Esse ritmo de novos casos é ainda maior nas regiões Sul, Norte e Nordeste. No Sudeste, onde estão os Estados que mais concentram casos de aids, essa velocidade é menor.
A mortalidade por aids no Brasil caiu 37,9% , mas também entre as mulheres esta queda acontece em velocidade menor do que entre os homens. Isto pode ser explicado pela fragilidade maior da mulher diante da doença. "Mulheres infectadas e nas mesmas condições que os homens adoecem e morrem mais rápido", disse o coordenador do Programa de Aids, Pedro Chequer.
Considerando dados gerais, em 1995, foram notificados 15.254 mortes por aids no Brasil. Em 1996, o número caiu para 13.100. No ano passado, foram 9.473 mortes. Em 97, não foram computados os dados do Amazonas, Sergipe, Espírito Santo, Maranhão e Minas Gerais, mas, segundo o diretor do Programa, o grande impacto nas estatísticas vem dos dois Estados com maior concentração de casos, Rio de Janeiro e São Paulo.
Com esta queda, a aids passou de segundo para o quarto lugar no ranking das causas de morte da população entre 20 e 49 anos. Chequer atribui a redução da mortalidade ao programa de distribuição gratuita de medicamentos, entre eles o coquetel (a terapia tríplice de anti-retorvirais) contra a aids, e à assistência médica aos doentes na rede pública.
Comparando 1995 com 1996, o governo concluiu que a taxa de mortalidade entre homens caiu 15,16 para 14,43 óbitos para cada grupo de 100 mil habitantes. Entre as mulheres, houve um aumento
de 4,53 em 1995 para 4,81 em 1996.
Chequer diz que entidades, como o Centro de Controle de Doenças (CDC) norte-americano e instituições de pesquisa da Europa estão avaliando se as diferenças fisiológicas ou imunológicas entre os sexos poderia justificar a fragilidade maior das mulheres. No Brasil, segundo ele, o problema aumenta porque a população feminina geralmente demora mais a procurar o médico para fazer o diagnóstico.

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