Kampala, 20 (AE-AP) - A polícia investiga a morte de centenas de membros de um culto fundado por uma ex-prostituta e, nesta segunda-feira (20), descobriu mais corpos em uma fossa no galpão do grupo.
O ministro de Interior de Uganda, Edward Rugumayo, que visitou o galpão incendiado do culto no topo de uma montanha no sudoeste do país, disse que além dos 330 corpos carbonizados encontrados pelos policiais, outros cinco foram vistos por um buraco em uma fossa na parte externa da igreja.
Rugumayo afirmou que a polícia tinha certeza da existência de mais corpos na fossa, mas esperava pela chegada de equipamentos de escavação para investigar o local.
Desde as primeiras informações sobre o incêndio de sexta-feira no galpão do Movimento de Restauração dos Dez Mandamentos, criado há 10 anos, e sua divulgação para o resto do mundo no dia seguinte, o número de vítimas deste que parece ser um suicídio coletivo variou entre 235 e 600.
"Estes são os que pudemos contar", disse Rugumayo, referindo-se aos restos carbonizados das vítimas. Segundo ele, a maioria era composta por mulheres. "Os outros estão irreconhecíveis."
Ele disse também que a polícia encontrou os corpos de 78 crianças. Ainda de acordo com o ministro, quatro policiais e dois ex-policiais estariam entre os mortos.
Em Kanungu, 347 quilômetros ao sudoeste da capital Kampala, prisioneiros de uma cadeia da região cavaram um longo corredor e um guindaste colocou a massa carbonizada dos corpos em uma vala comum. Um repórter da Associated Press no local disse não parecer que alguém estivesse registrando.
"O que fica de tudo isso é que as autoridades nunca suspeitaram de nada", disse Rugumayo.
Ele contou que a seita, fundada por Cledonia Mwerinde, uma ex-prostituta de 40 anos que construiu a capela no túmulo de seu pai, possuía cerca de mil membros em nove estados desta nação do leste africano.
"Há ainda membros da seita em outros distritos e eles estão sendo procurados", afirmou Rugamayo, acrescentando que a polícia fecharia todos os templos restantes da seita, legalmente registrada há muitos anos como uma organização não-governamental (ONG).
"Estaremos fechando todos os templos desta seita e estaremos mais vigilantes em relação ao registro de ONGs no futuro", declarou. "Mas não podemos conter a liberdade de culto."
Ainda hoje, a polícia informou que os cinco principais líderes do culto, inclusive Mwerinde, cujos seguidores chamavam de "Omubonekyera", ou "aquela que teve uma visão", morreram no incêndio.
Mas Rugamayo disse que, até o momento, só foi possível identificar os corpos do diretor da fazenda subexistente da seita e de um "padre". A polícia identificou os líderes do culto como Mwerinde; Joseph Kibweteere, de 68 anos, também conhecido como "o profeta"; e os ex-padres católicos Dominic Kataribabo, de 32 anos, Joseph Kasapurari, de 39, e John Kamagara, de 69.
Após o incêndio mortal, trabalhadores rurais que vivem nas proximidades do galpão disseram à polícia e a jornalistas que os membros da seita comentaram sobre uma visão da Virgem Maria e que algo grande estaria para acontecer.
Há informações de que Kibweteere teria previsto o fim do mundo em 31 de dezembro de 1999. Quando isto não aconteceu, ele alterou a data para 31 de dezembro de 2000.
As seitas religiosas proliferam-se pelo continente africano devido à desilusão de muitas pessoas em relação à falta de habilidade dos políticos para melhorar a vida do povo.
Os membros da seita Kangunu insistiam em receber a comunhão sagrada ajoelhados em vez de em pé e recusavam-se a falar temendo quebrar os mandamentos. Mas eles cantavam e oravam em voz alta.

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