Taipé, 23 (AE-ANSA) - Equipes de socorro continuavam nesta quinta-feira (23) retirando pessoas com vida do meio dos escombros de prédios destruídos pelo terremoto de terça-feira, apesar de vencido o prazo estabelecido pela medicina para sobrevivência humana nessas condições - 72 horas.
É o caso de Shen Hsing-yi, de oito anos, que ficou sepultado durante 40 horas sob as ruínas do apartamento onde morava em Touliu, na região central de Taiwan.
"Estamos diante de um milagre", ressaltou um porta-voz do governo, que retificou os dados oficiais sobre o número de desaparecidos, divulgados na quarta-feira à noite. O número foi reduzido de 2.300, para 292, enquanto o de mortos elevou-se a 2.131 e o de feridos, a 8.100.
A redução do número de soterrados foi recebida com alívio pelos socorristas que arriscam a vida nas operações de salvamento. Mais de 4.300 abalos secundários ocorreram desde terça-feira, derrubando muitos prédios que resistiram ao primeiro terremoto, tornando arriscada a tarefa de resgate das vítimas.
Das 292 pessoas ainda soterradas, mais uma dezena foi localizada com vida hoje só pelo grupo de 12 socorristas espanhóis. Estão sob os escombros de um supermercado em Puli, no centro do território. Até o final da noite, apenas uma havia sido retirada. As demais permaneciam presas entre toneladas de blocos de concreto.
Socorristas russos, norte-americanos e japoneses também conseguiram resgatar pessoas com vida.
Um novo abalo de 6 graus na escala Richter atingiu essa região pela manhã, causando pânico na população de Taichung e Nantou, duas cidades já duramente castigadas. "Minha casa ainda está de pé, mas não me atrevo a entrar nela", disse Liu Cheng-shi, que vive agora numa barraca de lona com a família, como milhares de outros moradores de cidades do norte e centro da ilha, incluindo a capital.
Em Taichung, morreram 970 pessoas. Em Nantou, 830. As duas cidades receberam a visita do presidente Lee Teng-hui, que recusou "polidamente" pedido de autorização da China, para enviar um equipe de socorristas a Taiwan e medicamentos, roupas e alimentos para os flagelados.

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