Número de mortos pela PM é maior que 2011
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sexta-feira, 19 de outubro de 2012
Lucio Flávio Cruz <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - Dois jovens foram mortos em um susposto confronto com a Polícia Militar na manhã de ontem no Conjunto Novo Amparo (Zona Norte de Londrina). Com isso, já são 12 pessoas mortas em tiroteios com a PM este ano em Londrina. Em 2011, foram cinco mortes. Somente em outubro foram sete mortos em três ocorrências.
As mortes em confrontos com a PM não entram nas estatísticas de homicídios da polícia. Em 2012, foram 93 assassinatos em Londrina, além de três latrocínios (roubo seguido de morte).
O crime de ontem ocorreu após uma suposta reação à abordagem policial. Um adolescente de 16 anos e Rafael Alves dos Passos, 20, estavam em uma casa, na Rua Josias de Souza, quando os PMs chegaram. Eles teriam reagido, trocado tiros com os policiais e morreram antes de serem atendidos pelos socorristas do Siate. Os corpos foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Londrina.
De acordo com a 4 Companhia Independente da Polícia Militar, a residência onde ocorreram as mortes era um conhecido ponto de tráfico de drogas da região e várias apreensões de entorpecentes já haviam sido feitas no local. Uma das vítimas foi morta no portão e a outra dentro da casa, onde estaria, suspotamente, fazendo a separação da droga. Das 12 mortes registradas na cidade, seis foram em confrontos com policiais lotados na 4 Companhia.
A PM localizou dois revólveres, um calibre 22 e outro 38, no imóvel, além de um facão e porções de maconha. A mãe do adolescente reprovou a ''atitude violenta'' dos policiais e alegou que o filho não estava armado e não tinha passagens pela polícia. Ela contou que a família mora no Jardim Interlagos (Zona Leste) e que o filho frequentava o Novo Amparo porque a namorada dele mora no bairro.
''Ele estava trabalhando até pouco tempo atrás em um supermercado. Como estava desempregado passava o dia dormindo e a noite fora de casa. Sempre pensei que ele ficava na casa da namorada'', relatou a mulher.
Para o relações-públicas do 5º Batalhão da Polícia Militar, capitão Nelson Villa, o aumento do número de mortes em confrontos em relação a 2011 é ''circunstancial''. ''O policial é preparado para prender e não para matar. Mas quando o criminoso age com agressividade e se prepara para enfrentar o policial a tiros a reação é natural de quem quer preservar a própria vida. É o direito de defesa que qualquer pessoa tem'', argumentou. Villa acrescenta que os policiais fazem diariamente prisões de pessoas armadas que não resultam em confrontos.
Para a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR), falta treinamento técnico para os policiais agirem de forma correta na abordagem de suspeitos. ''Por que ir para o confronto? O policial sempre está acompanhado, tem melhores alternativas e condições para agir de outra forma e não matar'', colocou a vice-presidente da Comissão, Isabel Mendes.
Isabel Mendes lembra que constitucionalmente a PM tem a função de prevenção e repressão e a Polícia Civil de investigação. ''Como 90% dos policiais civis estão cuidando de presos, eles não investigam mais. E os PMs não estão preparados para fazer este trabalho'', ressaltou.
A Comissão de Direitos Humanos da OAB-PR acompanha as mortes em confrontos com a polícia quando recebe denúncias, mas na maioria das vezes só tem acesso às informações quando a investigação já está concluída, o que impede que a entidade questione os argumentos apresentados.
''A maioria dos casos é arquivada por falta de provas e apenas os crimes com repercussão na mídia são investigados realmente. Os demais são esquecidos e ficam sem respostas. Os policiais que se envolvem em crimes contra a vida acreditam na impunidade. Eles realmente sabem que não serão punidos e isso é uma das causas do aumento desse tipo de crime. A impunidade caminha na frente da violência'', finalizou Isabel Mendes.
A Secretaria de Segurança Pública (Sesp) e o Comando da Polícia Militar do Paraná não souberam informar o número de vítimas em confronto com a PM no Estado. O secretário de Segurança, Cid Vasques, não quis comentar o assunto.


